Acolhimento de imigrantes no espaço urbano

Passagens para uma nova ordem urbana

Por Helena Werneck* | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Adaptação web Caroline Svitras

São Paulo nasceu sob o signo da migração em uma área sob dominação portuguesa completamente diferente das áreas litorâneas do Nordeste brasileiro de fácil ocupação. São Paulo, para ser ocupado, teve que ter submetido – primeiro – à muralha da serra do Mar.

 

A ocupação de São Paulo se deu com a introdução da cultura do café associada à expansão da rede ferroviária. Esses dois elementos fizeram surgir no Planalto Paulistano, a 800 m acima do nível do mar, uma cidade com características europeias com uma população local resultado da aclimatação dos viajantes que se arriscaram a fazer o futuro na América, e de seus novos habitantes.

 

Com o desenvolvimento da cultura do café – o então chamado ouro negro – e com a proibição do uso da mão de obra escrava, foram contratados imigrantes italianos e japoneses, que se somaram aos imigrantes poloneses, alemães e mesmo comunidades russas que já se haviam fixado no Sul do país.

 

BARBÁRIE e TERROR, ou, a “conta” chegou

 

Em tempos atuais e em resposta, inclusive, das disputas por territórios, disputas comerciais e religiosas, vive-se uma nova onda de grandes movimentações populacionais, e dessa vez não à procura de um lugar – mas sim à procura da sua própria sobrevivência.

 

Os grandes conflitos gerados na Ásia, na África e mesmo nas Américas tem movido – novamente – hordas populacionais à procura de melhores condições de vida ou, em última circunstância, a sua própria vida.

 

O que fazer com os refugiados?

A questão sobre o que fazer com os novos refugiados é uma grave questão que – desta vez – atinge territórios específicos do Brasil. Com certeza é um grande desafio para uma sociedade que convive com um dos maiores níveis de desigualdade social em todo o mundo e oferece baixas condições de vida a sua própria população.

 

Outra questão extremamente importante é o modelo de ocupação territorial vigente na maior parte da área ocupada do planeta – e o intenso processo de urbanização que se inicia por volta do século XIX e que hoje representou, em 2011 – pela contagem da ONU –, cerca de 7 bilhões de pessoas e que se estima deva chegar na marca dos 8 bilhões entre 2023 e 2024, ainda que o índice de fertilidade venha caindo especialmente nos países de baixa ocupação econômica.

 

As metrópoles modernas já se acostumaram ao recebimento de todos os tipos de população e concentram a diversidade étnica e cultural do mundo como um todo após o crescente processo de integração proporcionado pela tecnologia digital. No entanto, essa integração começa a tomar contornos mais drásticos a medida em que se acirram as desigualdades e aumentam os conflitos políticos e as disputas internacionais.

 

Diante dessa situação, os países onde a questão econômica está sendo mais bem conduzida servem de destino a uma quantidade nunca vista na era moderna de movimentação de inteiras populações. Boa parte não permite a entrada desses novos habitantes, ocasionando sérios problemas na ordem social especialmente nas áreas de fronteiras.

 

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Adaptado do texto “Passagens para uma nova ordem urbana”

*Helena Werneck é arquiteta e urbanista, com especialização em Planejamento Urbano pela Universidade de Roma. Trabalhou na Empresa de Planejamento Metropolitano de São Paulo (Emplasa), na Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, com palestras realizadas para a Fundação Konrad Adenauer, e no Seminário Internacional Smart Cities.