Apropriação cultural e consumo

Por Claudia Bourseau* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

A expressão “apropriação cultural” tem sido debatida mundialmente, em especial por movimentos negros. A ideia consiste em tratar a reprodução de um determinado costume ligado a grupos específicos, como aos negros, como no caso de uma campanha publicitária da marca de sapatos com mulheres usando turbantes, como uma forma de apropriação de um símbolo e sua ressignificação em prejuízo do grupo do qual foi apropriado. Tal apropriação alça um determinado costume como tendência ou modismo e, muitas vezes, justifica o uso em nome de uma representatividade ou suposta identificação com as lutas de resistência e por legitimidade dos movimentos negros, que os acusam de identificação falsa posto que, como todo modismo, é temporária e sofre adaptações que, contrariando tais justificativas, consistem em mecanismos de distinção.

 

Além disso, a apropriação cultural traz vantagens financeiras para o grupo que não é representado pelo objeto consumido. No exemplo citado da propaganda de marca de sapatos, a própria marca lucrará com o uso dos turbantes e não os movimentos de resistência que o utilizam como forma de representação e luta. Ou seja, a marca despolitiza um objeto a fim de vendê-lo para um maior número de pessoas, e as pessoas que o consomem podem, consequentemente, vê-lo apenas como adereço, sem considerar todo o aparato simbólico que o torna representação de um determinado grupo historicamente oprimido.

 

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*Claudia Bourseau é graduada em Ciências Sociais e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Leciona Sociologia no ensino médio e pesquisa a utilização de vídeos feitos com telefones celulares como prova em processos de violação de direitos humanos por agentes do estado.