As ocupações das escolas

Da Redação | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil | Adaptação web Caroline Svitras

A Escola Estadual Fernão Dias Paes fica localizada no bairro de Pinheiros, zona oeste da cidade de São Paulo. Considerada uma das mais tradições escolas da rede pública paulista, ela foi ocupada em novembro de 2015 por um expressivo grupo de estudantes, em protesto contra a reorganização do sistema educacional autorizada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), medida que afetará diversas instituições de ensino.

 

O número de escolas que serão, no jargão administrativo, “otimizadas”, seguindo uma lógica empresarial (focada em números, gráficos e métodos de gestão supostamente modernizantes) ou sumariamente “fechadas e desestruturadas”, na visão dos os opositores, provocou embates firmes. Até o fechamento desta edição, outras instituições haviam sido ocupadas. Ordens  de reintegração de posse foram expedidas. Os alunos resistiram, entoaram cantos, fizeram assembleias, abriram faixar e aprenderam, na prática, as primeiras lições de política, no sentido de atuação direta.

 

O governo de São Paulo, por meio da Secretaria Estadual da Educação, saiu em defesa da medida em nota divulgada em seu site. A finalidade é, de acordo com eles, a de aperfeiçoar a qualidade de ensino. Quem é contra a decisão diz justamente o contrário: que manter as escolas tal como estão, com melhoria de salários e valorização de um conteúdo humanista, é que produzirá uma escola emancipadora e qualificada.

 

Seja lá qual for a opinião, o que fica de tudo isso é a forma como os estudantes reagiram. Eles não ficaram apáticos, tomaram posição, fizeram-se ouvir, e é assim que se edifica um mundo melhor. Exageros podem eventualmente ocorrer, e devem ser repudiados quando extrapolam o bom-senso, mas o exercício da cidadania e de liberdade de expressão caminha no sentido dos jovens da Fernão Dias Paes e de tantas outras escolas.

 

Adaptado do texto “Primeiras lições de política”

Revista Sociologia Ciência & Vida Ed. 62