As ciências sociais e a economia

A convergência ideal para a teoria da dependência

Por Carlos Eduardo Tauil | Foto: Revista Sociologia | Adaptação web Isis Fonseca

Ciências sociais e economia

Em uma de suas primeiras reuniões na Universidade Autônoma do México, após ter sido exilado pelo golpe militar de 1964, Ruy Mauro Marini disse: “As Ciências Sociais precisam, urgentemente, se apropriar da Economia”.

Ruy Mauro Marini pode ser indicado como uma das principais figuras brasileiras que conseguiram unir essas duas facetas das Ciências Humanas. Marini era mineiro de nascença e um cidadão que percorreu vários estados brasileiros – como estudante, militante ou como acadêmico.

Em 1953, Marini se mudou para o Rio de Janeiro e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vale salientar que o ano em
que o autor começa seus estudos acadêmicos é um período muito próximo ao da criação da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em 1949, com o argentino Raúl Prebisch.

Esse adendo de contexto temporal se faz importante, pois veremos adiante como as teses cepalinas influenciaram o pensamento de Marini. Após desistir do curso de Direito e ingressar no curso de Administração Pública, Marini começou a tomar seus primeiros contatos com a política e com o movimento operário.

Em 1963, o antropólogo Darcy Ribeiro convidou o autor a ingressar como docente na Universidade Federal de Brasília e, nesse momento, o autor conhece os professores Theotonio dos Santos e Vânia Bambirra.

Uma das primeiras atividades que Marini realizou na Universidade Federal de Brasília foi formar um grupo de estudo sobre O capital, de Karl Marx, junto com os professores que havia recém-conhecido.

O principal resultado desse grupo de estudo é que esses professores criaram uma nova abordagem para a interpretação do Brasil e da América Latina. Segundo Theotonio dos Santos (2015, p. 25): “A teoria da dependência, que surgiu na América Latina nos anos 1960, tentava explicar as novas características do desenvolvimento socioeconômico da região, iniciado de fato entre 1930-1945”.

Não nos caberá neste espaço esmiuçar as diferenças entre as tantas teorias da dependência que surgiram após 1960. O importante é sabermos que Marini fez
parte do grupo que teorizou sobre o desenvolvimento do Brasil e América Latina sob um ponto de vista marxista que explicaremos mais à frente. As categorias e
concepções que esse grupo de professores elaborou ficaram conhecidas como teoria marxista da dependência.

Marini trabalhou na Universidade Federal de Brasília por menos de dois anos. Após o golpe militar, ocorrido em 1964, o autor se exilou no México de 1965 até 1971, quando mudou-se para o Chile.

Após a morte do presidente chileno Salvador Allende e a tomada do poder pelo militar Augusto Pinochet, Marini voltou ao México a fi m de lecionar na Universidade Nacional Autônoma do México, onde formulou, em 1974, uma de suas principais obras: Dialética da dependência.

Por sua posição radical quanto ao movimento revolucionário brasileiro e pela apropriação da teoria da dependência de Fernando Henrique Cardoso pelo mainstream acadêmico brasileiro, Marini enfrentou muitas dificuldades para voltar ao Brasil, mesmo após o processo de anistia iniciado em 1979.

Em 1985 regressa ao país e fica intercambiando sua produção acadêmica entre Brasil e México. Essa alternância entre as academias brasileira e mexicana se deu devido ao fato de que o autor não conseguiu alcançar, em seu país, o prestígio que conquistara nas universidades mexicanas.

Dessa forma, só retornou definitivamente ao Brasil em 1996 para, então, falecer em 1997 aos 65 anos de idade.

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