Conheça a trajetória de Angela Davis

Professora Rosane Borges, comentarista do livro Mulheres, raça e classe, analisa o papel da ativista Angela Davis, negra, feminista e comunista, na luta contra o racismo e o sexismo

Por Lucas Vasques* | Fotos: Wikipedia | Adaptação web Caroline Svitras

Pós-doutoranda em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, professora do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação da USP, integrante da Cojira-SP (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial), autora e organizadora de diversos livros, entre eles Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro, mídia e racismo, Rosane Borges escreveu a orelha do livro Mulheres, raça e classe, da ativista norte-americana Angela Davis, lançado no Brasil pela Editora Boitempo.

 

Angela Davis é mulher, negra, comunista e feminista, um conjunto de características que sinaliza para um ativismo considerado perigoso para o establishment. Colaboradora do blog da editora, Rosane ressalta que Angela Davis é uma mulher que pertenceu a uma geração em que a luta política foi uma arena fundamental para a mudança do mundo. “Sabemos o quanto os anos 60 do século passado se constituíram numa década importante para a transformação social”, avalia.

 

Rosane relembra que a carreira política de Angela ganha visibilidade mundial na década de 1970, quando é presa pela acusação grave de conspiração, sequestro e homicídio. Tornou-se, por isso, a terceira mulher a integrar a Lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados do FBI. “A fibra moral e ética de Angela Davis, no entanto, a torna uma mulher absolutamente comprometida com a mudança social, a partir da reflexão e da prática.

 

Angela Davis é mulher, negra, comunista e feminista. Ou seja, um conjunto de características que sinaliza na direção de um ativismo considerado perigoso para o establishment. Para quem não a conhece, fale um pouco sobre quem é Angela Davis, sua trajetória e importância na luta contra o racismo e, especificamente, pelos direitos da mulher negra.

Para Rosane Borges, Angela Davis é um ícone do feminismo negro, situando-se no campo da intervenção social, no combate do racismo e do sexismo | Foto: Arquivo Pessoal

Angela Yvonne Davis é uma feminista negra estadunidense, nascida no Alabama (um dos estados mais racistas dos EUA), em 1944, uma intelectual do mais alto gabarito, filósofa, professora emérita do Departamento de Estudos Feministas da Universidade da Califórnia, uma mulher que pertenceu a uma geração em que a luta política foi uma arena fundamental para a mudança do mundo. Sabemos o quanto os anos 60 do século passado se constituíram numa década importante para a transformação social; avaliada como um clarão na história da humanidade, abrigou movimentos variados em todo o mundo, irmanados por uma onda de insatisfação que advinha de diversos focos. O Maio de 68, a Primavera de Praga, o movimento feminista, o movimento hippie, o movimento estudantil, o movimento negro, entre outros grupos, firmaram-se como expressões de contestação e reafirmação das lutas anticapitalistas. Podemos dizer que a professora da Universidade da Califórnia, ícone do feminismo negro, é filha legítima dessas inquietações que alteraram mentalidades, situando-se no campo da intervenção social, no combate do racismo e do sexismo. Marxista de formação, foi orientanda do pensador Herbert Marcuse, integrante da Escola de Frankfurt, cuja teoria entrelaça elementos da Psicanálise freudiana e do marxismo crítico – influência que a fez ainda mais convicta de suas inclinações socialistas e comunistas já esboçadas quando, aos 14 anos, fez intercâmbio no Greenwich Village, Nova Iorque, onde teve contato com a literatura comunista. Dessas formações, Angela Davis colheu elementos para a construção de sua própria trajetória, filiando-se ao Partido Comunista e aos movimentos negro e feminista, a exemplo da SNCC, de Stokely Carmichael, e depois o Black Power e os Panteras Negras. A sua carreira política ganha visibilidade mundial na década de 1970, quando é presa pela acusação grave de conspiração, sequestro e homicídio, em virtude de uma suposta ligação sua com uma tentativa de fuga do tribunal do Palácio de Justiça do Condado de Marin, em São Francisco. Tornou-se, em virtude disso, a terceira mulher a integrar a Lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados do FBI. A fibra moral e ética de Angela Davis a torna uma mulher absolutamente comprometida com a mudança social, a partir da reflexão e da prática. Desse modo, ela nos lega obras fundantes para o feminismo negro, em particular, e o movimento negro, em geral. O livro Mulheres, raça e classe é, a meu ver, um clássico que ombreia com outros da Sociologia e da teoria social. E insisto: o epíteto não é nenhuma extravagância retórica. Adoto o conceito de clássico cunhado pelo pensador Norberto Bobbio, para quem um clássico é um intérprete único de seu tempo, com tamanha reserva de atualidade que cada época e cada geração têm a necessidade de relê-lo, de reinterpretá-lo. Um clássico cria teorias-modelo com vistas à compreensão da realidade, de tal sorte que consegue até mesmo explicar contextos diferentes daquele em que foi gestado. E é isso que a obra de Angela Davis nos possibilita. Para quem não a conhece, podemos dizer que é a mulher dos fundamentos, somos dela devedoras e devedores, uma contemporânea, no sentido em que Agamben reatualiza de Nietzsche: uma mulher que vive o seu tempo, mas que toma posição em relação ao presente, “pertence ao seu tempo, mas não coincide perfeitamente com ele; adere a ele, ao mesmo tempo que dele toma distância”. Talvez seja por isso que ela tenha sido considerada tão perigosa para o establishment.

 

Desde que saiu da prisão, no início da década de 1970, Angela passou a centrar seu ativismo principalmente na questão do sistema carcerário, o qual entendia como uma continuação das políticas racistas contra negros e imigrantes dos estados unidos. Como você observa essa questão na atualidade? É possível traçar um paralelo com o brasil?

Infelizmente, o roteiro de exclusão e extermínio mudou muito pouco, e em alguns casos até se acirrou. Os EUA possuem a maior população carcerária do mundo, o que é um contrassenso para um país que se pretende o bastião dos princípios democráticos e libertários. O país tem 2,3 milhões de presos. Para ficarmos em só um estado: 27% da população do Alabama são negros, mas 63% da população carcerária são formados por pessoas desse grupo racial. No Brasil, esbanjamos também dados inaceitáveis, que ultrapassaram os limites de qualquer sociedade civilizada. Nós temos, segundo o Ministério da Justiça, a quarta maior população carcerária do mundo. Em números absolutos, o Brasil alcançou a marca de 607.700 presos, atrás apenas da Rússia (673.800), China (1,6 milhão) e Estados Unidos (2,2 milhões). Quando se compara o número de presos com o total da população, o Brasil também está em quarto lugar, atrás da Tailândia (3º), Rússia (2º) e EUA (1º). Tanto nos EUA quanto no Brasil o fundamento racial é fator preponderante nas políticas de encarceramento e extermínio (aqui já se consagrou a expressão “genocídio” para se referir às mortes de jovens negros). A tragédia de uma população numerosa encarcerada com o perfil delineado acima incide em diferentes níveis. Cito aqui apenas o papel antieducativo do preconceito e do racismo, que se materializa como uma profecia autorrealizadora: há no imaginário racista a crença de que homens negros são perigosos e violentos. A presença deles em massa nas prisões dos EUA, do Brasil e de outros países só reforça esse estereótipo, aprisionando outros jovens e homens em imagens redutoras que dificultam, e até mesmo impossibilitam, o desenvolvimento de uma biografia livre das amarras da perseguição do Estado. É o racismo do Estado operando, em suma.

 

Angela viveu intensamente a época considerada um clarão na história da humanidade, pois abrigou movimentos como o hippie, o Maio de 68 e a Primavera de Praga

 

Angela, chamada de ativista do abolicionismo do século xxi, afirma que é preciso desmanchar os mecanismos de opressão e não passá-los para as mãos daqueles que os criticam. “o desafio do século XXI não é reivindicar oportunidades iguais para participar da maquinaria da opressão, mas, sim, identificar e desmantelar aquelas estruturas nas quais o racismo continua a ser firmado. Este é o único modo pelo qual a promessa de liberdade pode ser estendida às grandes massas. Pode analisar essa afirmação?

O ator negro Will Smith cunhou a seguinte definição: “O racismo faz parte da fibra de que a América é tecida, o racismo existe em cada fibra da América”

É uma afirmação que pode ser verificada no cotidiano, dentro das instituições, ainda que pouco levada a efeito. No Brasil, temos exemplos flagrantes de um processo excludente, cuja transposição só é possível se implodirmos, digamos assim, a maquinaria da opressão. A Marcha das Mulheres Negras, realizada em novembro de 2015, foi um ato de coragem que nos leva a tomar uma posição radical em relação ao horizonte das reivindicações da população negra. O racismo estrutural, o racismo institucional e o racismo de Estado se configuram num tripé que nos informa que as práticas racistas são a normalidade do mundo, são constitutivas das instituições, ou como disse bela e secamente o ator negro Will Smith, “o racismo faz parte da fibra de que a América é tecida, o racismo existe em cada fibra da América”. Em sendo a fibra que nos constitui, é preciso desfibrar, desmontar os aparelhos e aparatos que, embora proclamem a interdição do racismo e do sexismo, estão assentados em suas bases. O professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Silvio Almeida, vem sistematicamente apontando para a importância da análise desses três tipos de racismo, que andam sempre conjugados. Para ele, no Brasil, a exclusão, a subalternização, o tratamento inferiorizado das pessoas de pele negra estão na essência da lógica das relações sociais. Ele destaca que, em um país onde mais da metade da população é negra, a ausência de pessoas desse grupo racial nos lugares de poder é vista com certa normalidade. “A sociedade é alheia ao fato de não haver paridade de pessoas negras como integrantes das instituições; ou, se fazem parte delas, estão sempre em condições de subalternização. Para combater o racismo será preciso reaprender. Negros foram criados numa sociedade que ensina o tempo todo qual é o seu lugar.” Ainda segundo Almeida, as instituições, enquanto espaço de interação, são também aparelhos ideológicos em que as práticas são reproduzidas e as políticas são externalizadas. Para o professor, “não existe racismo sem Estado, que reproduz as condições para que as desigualdades se manifestem”. Ora, essa constatação serve de farol para uma política reivindicatória, que nunca aderiu a discursos, alguns oficiais, que diziam ser o racismo uma prática individual, simplesmente circunstancial, episódico mesmo. Isso corresponde à mudança estrutural das instituições, dos costumes, da política. Não se acaba com a exploração de caráter racial e de gênero apenas com a adoção de políticas públicas. Não estou desconsiderando que elas tenham sua importância, mas são insuficientes quando escutamos esse chamado da Angela Davis. Como disse, a Marcha das Mulheres Negras, que veio com o lema “Contra o racismo e pelo bem viver”, foi mais um ponto de inflexão do feminismo negro brasileiro, ao dizer categoricamente que o padrão, o modelo de política em voga, ainda que progressista, não nos interessa mais. É preciso avançar. E o avanço se dá a partir de novas bases, de um novo desenho, de novas formas de pensamento, de outros postulados teóricos, de outra gramática política, enfim. Não nos cabe apenas ocupar cargos, funções, mas construir novas dinâmicas e arranjos sociais. Claro que a tomada desse princípio em sua radicalidade supõe um enfrentamento do Estado e do capitalismo.

 

Música negra e racismo nos EUA

 

No livro Mulher, Raça E Classe, Angela desenvolve um estudo elaborado a respeito das condições da população negra nos Estados Unidos por um viés interseccional, ou seja, analisando como racismo, capitalismo e sexismo estruturam as relações, gerando formas combinadas de opressão. Como se posiciona diante deste cenário e é possível transportar essa análise para o Brasil?

Como disse, Angela Davis é uma mulher dos fundamentos. Junto com ela, outras mulheres negras também se insurgiram como bússolas para a adoção, num golpe só, dos tópicos racial e de gênero na dinâmica social. Essa análise vem sendo adotada pelo feminismo negro que, numa perspectiva diaspórica e internacionalizada, tem estabelecido marcos importantes para a superação do racismo e do sexismo. Não é meramente uma questão de transportar um termo de uma realidade para outra. As nossas realidades são semelhantes. A imbricação das relações raciais foi reivindicada por nomes do feminismo brasileiro, como Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Sueli Carneiro, Jurema Werneck, sob diferentes enfoques e vieses. Angela Davis e essas ativistas vêm insistindo que nas sociedades marcadas pela tragédia da escravidão é impossível a superação da exploração sem que esse tripé seja tomado como instituinte da discriminação e das hierarquias sociais. Sabe-se que a expressão ganha estatuto teórico-metodológico nas mãos de Kimberlé Crenshaw, numa perspectiva jurídica e com um objetivo tático. Patricia Hill Collins, feminista negra estadunidense, foi responsável pela sua propagação. Existem altercações entre os princípios da consubstancialidade e da interseccionalidade, frequentemente demarcadas por teóricas como Danièle Kergoat, para quem a interseccionalidade seria apenas ao cruzamento de categorias, ao passo que a consubstancialidade se volta para as relações sociais. Importante frisar que esse debate fermentou a discussão sobre colonialidade/descolonialidade a partir da concepção de que as modernidades coloniais e pós-coloniais desenharam um ambiente mais ou menos comum, onde racismo, sexismo e classe interagem irrevogavelmente. Esse debate foi e tem sido importante para o avanço das reivindicações das mulheres negras nas Américas.

 

Para Rosane, as redes sociais têm papel vital no debate público, mas apresentam problemas, como a rapidez das informações e a falta de mediação

 

Em relação a parcelas numericamente representativas da população, como negros e mulheres, por que até hoje esses segmentos ainda têm baixíssima representatividade como formadores de opinião e tomadores de decisão?

Podemos alongar a discussão trazendo questões fundamentais que nos informam sobre o espaço público e a naturalização do “lugar” do outro. Gosto muito do filósofo Jacques Rancière, principalmente o livro de sua autoria chamado Partilha do sensível, onde argumenta que na sociedade grega eram poucos os que tinham o poder de decidir o comum, o sensível, o destino de todos. Diz ele: “Mulheres e crianças não podiam se expressar publicamente, o artesão não tinha tempo, pois estava sempre ocupado com o trabalho manual, o escravo idem, com o agravante que não entendia a linguagem comum. Sobrava para alguns homens a tarefa de decidir o destino de todos. Essa não participação de todos, digamos assim, fez com que a partilha do sensível fosse monopólio de poucos privilegiados”. Podemos fazer paralelos com o Brasil de hoje. Num país em que a maioria da população é negra, como você mesmo diz, formadores de opinião e tomadores de decisão são, majoritariamente, homens e brancos. Essa hierarquia social/racial é extremamente pedagógica para pensarmos que a escravidão opera até hoje desenhando linhas divisórias entre os que pensam/mandam e os que escutam/obedecem. O racismo é um hierarquizador de funções, cargos e papéis. Os papéis de prestígio são exercidos por homens e brancos. Presenciamos hoje um debate febril em torno das representações por força do agigantamento das mídias em nossa vida. Considero que esse já é o grande enfrentamento do século XXI: acesso a lugares de visibilidade que constituem a existência.

 

Em sua opinião, historicamente as mulheres negras são naturalmente fortes ou elas precisaram se fazer fortes porque o estado sempre foi omisso em relação às questões relacionadas a elas?

Para início de conversa, no mundo em que vivemos, permeado pelas relações de poder, pelas hierarquias, nada é “natural”. Tudo já é produto das relações sociais, permeadas pelo poder e desigualdades. Essa “fortaleza” da mulher negra tem um fundamento desumanizante, “trágico”. Ao contrário do que se pensa, no trabalho escravo não havia divisão sexual das tarefas. As mulheres negras labutavam infatigavelmente igual aos homens. Como a própria Angela Davis nos ensina, “nas plantações de algodão, tabaco, milho e cana-de-açúcar, as mulheres trabalhavam lado a lado com seus companheiros”. E completa: “As mulheres deixavam seus bebês aos cuidados de crianças pequenas ou de escravas mais velhas, fisicamente incapazes de realizar o trabalho pesado da lavoura”(…). Essa masculinização da mulher negra, mais um elemento da desumanização a que foi submetida, ganha reedição nos tempos atuais nas expressões “pau para toda obra”, “mulher negra é forte”. Não discordo de que somos fortes, já que sobrevivemos à pior tragédia da humanidade, que foi a escravidão transatlântica. O problema é tornar essa fortaleza um atributo essencialista, que justificaria até a escravidão. O essencialismo em relação a isso vem nos matando: médicos do SUS deixam de aplicar anestesia em mulheres negras na hora do parto porque, segundo eles, elas são mais fortes. O que isso significa senão a reatualização da destituição do outro e sua consequentemente desumanização face a uma invenção do dominador? Repito: evidentemente que num contexto massacrante para nós, mulheres negras, soubemos resistir e chegar até o século XXI com sonhos, projetos e outras possibilidades de existência. Isso é força. Porém, devemos repudiar o essencialismo da força, pois ele se presta a uma gramática de destituição e exclusão que “torna natural” as hierarquias que tal essencialismo funda e aprofunda.

 

Protesto em Boston, anos 70: Guerra do Vietnã e libertação de Angela Davis na pauta dos movimentos sociais

 

No exemplo das políticas de enfrentamento da violência doméstica, essas ações têm contemplado as mulheres negras?

Muito pouco. Se olharmos para os dados recentes da violência doméstica, veremos como os dados não deixam margem á dúvida. De acordo com o “Mapa da Violência 2015”, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais, o número de mulheres negras mortas cresceu 54% em 10 anos (de 2003 a 2013), enquanto que o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período. De acordo com Jurema Werneck, integrante da ONG Criola, faltam políticas para as mulheres negras. “Uma política pública justa e democrática precisa ser destinada a grupos específicos”, afirma. Segundo ela, ao tratar as mulheres de forma homogênea, sem levar em conta os diferentes contextos enfrentados pelas negras e pelas brancas, o Estado “tende a privilegiar grupos privilegiados e a prejudicar grupos marginalizados. A mulher negra tem dificuldade de acessar não apenas a rede de proteção contra a violência, mas todas as outras”, afirma. “Muitas delas têm medo de recorrer ao Estado em casos de violência, porque sabem que é o Estado que mata os homens negros. Logo, elas não confiam nele.”

 

Em que medida as redes sociais assumem papel importante como um significativo fórum de debate sobre essas questões?

As redes sociais têm papel vital no debate público, considerando que parte do que lá circula não seria disponibilizada pelas mídias tradicionais. Tem-se, ainda, a vantagem suplementar de as redes sociais possibilitarem o direito à fala, à isogoria, o que abre possibilidade para um debate polifônico com várias perspectivas e angulações. Denúncias de práticas racistas, sexistas e similares dentro e fora das redes, reflexões, pontos de vista sobre racismo e sexismo transbordam as telas e nos dão a dimensão da efervescência do debate. Por outro lado, deve-se também destacar as dificuldades e os problemas próprios da rede: o predomínio de opiniões, a rapidez das informações, a falta de mediação, já que tudo que parece extremado nem sempre favorece o debate e a formação de uma opinião pública qualificada.

 

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*Lucas Vasques é jornalista e contribui com esta publicação.