Construção dos esterótipos de gênero

O conceito de gênero e suas expressões na sociedade

Por Caroline Svitras | Foto: Shutterstock

O debate sobre gêneros humanos tem estado em pauta na sociedade desde a Roma antiga, quando foi decretada a Lei Ópia, que impunha uma série de “padrões de comportamento” para as mulheres na época. O feminismo como conhecemos hoje teve início durante o século XIX com a busca pela igualdade nos contratos de propriedade entre homens e mulheres e pelo fim do casamento arranjado. Desde então, uma série de lutas emergiram contra tradições da sociedade patriarcal que geram uma força opressora sobre o gênero feminino. “Esta noção de superioridade prevaleceu durante séculos. Sabe-se que ontologicamente não há superioridade do homem sobre a mulher”, conta Luciano Gomes dos Santos, professor de Antropologia, Filosofia, Psicologia Social e Ciências Sociais da Faculdade Arnaldo Janssen.

Mas, então, de onde surgiu o conceito da superioridade de um sexo sobre o outro? Janssen explica: “Na sociedade dos coletores havia alternância do poder entre homens e mulheres. Na sociedade de caça, somente os mais aptos e fortes iam caçar. A partir dessa noção de força física, perde-se a alternância do poder”.

Gênero, sexo e sexualidade

 

Desde então se estabeleceu o destaque do sexo masculino e, com o desenvolvimento da sociedade, a noção de superioridade do homem se expandiu também para o campo intelectual. “As mulheres eram proibidas à decisões e participações políticas, submetidas à trabalhos insalubres, eram escravizadas e recebiam salários pífios. Impedidas à educação e ao voto. Vivam apenas para a família. Estes são alguns fatores que fizeram não as mulheres menos inteligentes, mas o controle social as diminuía”, conta o psicólogo e educador sexual Breno Rosostolato.

Entretanto, há uma questão pouco discutida em toda essa conjuntura. O que é gênero? O que o define na vida das pessoas?

Janssen esclarece, de início, que “gênero não é sinônimo de sexo. Sabe-se que o sexo é biológico, o gênero é uma construção sociocultural que depende dos costumes de cada região, da experiência cotidiana das pessoas, bem como da maneira como se organiza a vida familiar e política de cada sociedade”.

 

Política passiva e a luta LGBT+

 

Com isso, vamos lembrar que, apesar de haver dois sexos, o espectro de gênero é bem mais abrangente que isso. “Enquanto temos pessoas cisgêneras, que tem sua identidade ou vivência de gênero compatível com o gênero ao qual foi atribuído ao nascer, a pessoa transgênera é aquela que se identifica com o gênero diferente do registrado no seu nascimento, identificando-se com um gênero diferente daquele designado, masculino ou feminino, ou com nenhum deles, no caso dos não-binários”, explica Breno. Ele completa que “as construções [de estereótipos] violentam as singularidades e enfraquecem a alteridade. O ser humano é diverso e, portanto, deve ser respeitado enquanto sua pluralidade.”