Crescer ou sobreviver?

Por Gláucia Viola | Foto: Valter Campanato/ABr | Adaptação web Caroline Svitras

 

Por um lado, clama-se por desenvolvimento social; por outro, nos deparamos com fatos históricos malsucedidos que tiveram o mesmo objetivo. É só olhar ao redor da maioria das grandes cidades do Brasil para constatar que nada por aqui é realizado com planejamento de infraestrutura para a população. A urbanização desenfreada, iniciada na febre industrial é um bom exemplo. Décadas depois ainda sofremos efeitos colaterais da sede pelo progresso e, neste longo espaço de tempo, poucos projetos apresentaram soluções.

 

Se tomarmos como amostra a linha cronológica dos últimos 50 anos de São Paulo, veremos que a cidade conta hoje com mais de 1.500 favelas, não há vias suficientes para desafogar o trânsito paulistano e o rio Tietê virou esgoto a céu aberto. Porém, é considerada a cidade mais rica do País… Assim, entramos na polêmica da construção da usina de Belo Monte, no Pará. Desde os primeiros estudos de Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu em 1975, o projeto que visa aumentar o fornecimento de energia elétrica e contribuir para o crescimento da região, esbarra em uma forte oposição de ambientalistas, de comunidades locais e até mesmo de artistas, acadêmicos, intelectuais e órgãos de comunicação.

 

As opiniões são conflitantes. Especialistas alertam para o impacto ambiental e social ao povo indígena e ribeirinho. Críticos contestam a capacidade real da geração de energia. E o governo parte em defesa sustentando o discurso de “resposta ao atraso social da região” com ênfase em seu mais famoso projeto de política econômica e social, o Programa de Aceleração do Crescimento. Em meio ao debate, enquanto o rio segue seu caminho, o que predomina é a consolidação da divergência…

 

Revista Sociologia Ciência & Vida Ed. 40