Do Antikythera ao Puputov

Foi a tecnologia que propiciou a impositiva hegemonia humana perante o planeta

Por Alexandre Quaresma | Foto 123RF  | Adaptação web Isis Fonseca

Tecnologia

Se não fosse uma forte tempestade na ilha grega de Anticítera (ou, originalmente, Antikythera), há mais de um século [informa-nos o site da BBC Brasil (2017)], um dos objetos mais desconcertantes e complexos do mundo antigo muito provavelmente jamais teria sido descoberto.

“Trata-se de uma espécie de computador mecânico, concebido e construído com extremada sofisticação, capaz de prever com precisão desconcertante eventos astronômicos como eclipses da lua, por exemplo. “Entre belas estátuas de cobre e mármore [informa-nos a mesma fonte, em reportagem intitulada “Mecanismo de Antikythera: o objeto mais misterioso da história da tecnologia”], estava o objeto mais intrigante da história da tecnologia. Trata-se de um instrumento de bronze corroído, do tamanho de um laptop moderno, feito há 2 mil anos, na Grécia Antiga. É conhecido como máquina (ou mecanismo) de Anticítera.”

O mais notável nisso tudo é que, segundo a própria história da tecnologia, foi necessário que se passassem aproximadamente 1.500 anos para que algo do gênero – ou sequer parecido – voltasse a aparecer na história da humanidade, sob a forma dos primeiros relógios astronômicos mecânicos na Europa Medieval.

“Em 1950, o físico inglês Derek John de Solla Price foi o primeiro a analisar em detalhes os 82 fragmentos recuperados. Anos depois, em 1971, juntamente com o físico nuclear grego Charalampos Karakalos, foram feitas imagens das peças com raios-X e raios gama, que mostraram como o mecanismo era complexo: com 27 rodas de engrenagem no seu interior”.

O que é importante frisar é que para os gregos antigos a lua era extremamente importante na vida societal, já que, com base em suas fases, estabeleciam-se épocas de plantio, colheitas, estratégias e momentos de batalhas, festas religiosas, tempos de saldar ou receber dívidas, conceder autorizações para viagens terrestres e navegações, ou seja, poder prever com precisão os movimentos desse importante corpo celeste que gravita em torno da Terra era fundamental.

E era exatamente isso que – segundo os cientistas que estudaram o referido objeto – o mecanismo de Antikythera fazia. Segundo a mesma fonte, “a máquina de Anticítera, portanto, podia prever eclipses. Não apenas o dia, mas a hora, direção da sombra e cor com a qual a Lua apareceria”.

“Quando havia um eclipse lunar, o rei babilônio deixava o posto e um substituto assumia o poder, de modo que os maus agouros fossem para ele. Logo o substituto era morto e o rei voltava a assumir sua posição”, conta John Steele, especialista sobre a Babilônia no Museu Britânico.

O que impressiona é que seria a primeira vez que os seres humanos criavam um computador mecânico capaz de processar dados e fazer previsões precisas acerca da realidade astronômica da época.

Especula-se que somente uma mente brilhante poderia criar tal tecnologia, atribuindo-se, portanto, a suposta criação e autoria de Antikythera a Arquimedes,
tido como um coetâneo da invenção e que era considerado por muitos o cientista mais importante da Antiguidade Clássica.

“É um pouco intimidador saber que, logo antes da queda de sua grande civilização [informa-nos a BBC Brasil], os gregos antigos tinham chegado tão perto de
nossa era, não apenas em pensamento, mas na tecnologia científi ca”, disse Derek J. de Solla Price.

Confira a reflexão na íntegra em Revista Sociologia Ciência & Vida Ed. 71!