Bobos solitários?! O egoísmo suicida segundo Durkheim

Ao se sacrificar, e também aos demais, ele pretensamente se vinga dessa mesma sociedade bárbara e brutal que o gerou, criou, espezinhou, humilhou e reduziu a suicida terrorista

Por Alexandre Quaresma | Foto: Revista Sociologia | Adaptação web Isis Fonseca

Durkheim

O que leva um ser humano a decidir interromper intencionalmente a sua própria vida? Que ideias desesperadas e tormentosas não terá em mente um indivíduo assim para querer liquidar-se a si mesmo e ainda levar consigo a vida de outras pessoas? E, com efeito, fazê-lo de forma tão brutal e bárbara. Explodindo-se a si mesmo, espedaçando-se, extinguindo-se, ferindo e aniquilando terceiros.

E – segundo nosso entendimento – a principal pergunta que, se minimamente respondida, seria capaz também de responder às outras duas formuladas anteriormente seria justamente a seguinte: que (tipo de) sociedade é essa que – seja por ódio, desestruturação e ruptura interna, intolerância político-religiosa, ou o que quer que seja – produz suicidas terroristas fundamentalistas e fanáticos em série?

Desses que testemunhamos em nossos dias. Ou ainda, reformulando a última indagação preposta: que relações sociais propiciariam ocorrências extremistas dessa natureza? Que forças motivacionais, psíquicas e socioafetivas estariam atuando no âmago do seio social?

Bem, mas antes de tentar responder às referidas indagações, e antes também de mergulhar em busca de possíveis respostas nessa obra antológica e de fato extraordinária de Émile Durkheim (1858-1917),  intitulada justamente O suicídio – Estudo sociológico (1897), faz-se necessário, de pronto, desmistificar essa espécie tosca e totalmente despropositada de glamorização da barbárie terrorista que se está a praticar, seja aqui ou alhures.

Já que, ao contrário de qualquer pretenso ou hipotético glamour, ela (barbárie terrorista) sempre é desumana e horrenda, de modo que afronta às sociedades, fere-as em seu tecido constitutivo mais seminal – ou seja, a própria pessoa humana – e acaba gerando medo e trauma coletivo nas populações do mundo.

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