Entenda o genocídio armênio

 

Por Nicolina Luiza de Petta* | Foto: Wikipedia | Adaptação web Caroline Svitras

Entre os anos de 1895 e 1896, os turcos massacraram mais de 200 mil armênios. Esse foi o início de uma grande matança que se estendeu até as primeiras décadas do século XX. As estimativas apontam para o extermínio de 800 mil a 1,5 milhão de armênios pelos exércitos otomanos. A razão apresentada: os armênios eram cristãos. A perseguição aos cristãos que viviam sob domínio turco é muito anterior ao século XIX e extremamente cruel.

 

Porém, a partir de 1895, o plano era exterminar definitivamente os armênios porque estes se mantinham fiéis ao cristianismo. Entre as estratégias de extermínio estavam o confisco de propriedades dos armênios, assassinato da população masculina, abuso sexual das mulheres, rapto das meninas, que eram enviadas aos haréns turcos (conf. Morgenthau, p. 227).

 

Refugiados yazidi iraquianos recebem ajuda do Comitê Internacional de Resgate da ONU, no campo de Newroz. Nenhuma outra minoria é tão odiada e perseguida pelo Estado Islâmico | Foto: Rachel Unkovic/International Rescue Committee/Wikipedia

 

Com a derrota da Alemanha, antiga aliada dos otomanos, na I Guerra Mundial, o massacre foi impedido por influência das potências econômicas e militares do período, como Inglaterra e França. Se não tivessem sido detidos, os turcos exterminariam todos os armênios. Esse era o objetivo. Até os dias atuais o governo turco nega o crime.

 

 

O que ainda está em curso

Os massacres ou crimes de genocídio ocorrem em momentos de trauma coletivo, nos quais uma nação ou grupo social percebem que suas tradições, os valores fundamentais sobre os quais se apoiavam, estão desaparecendo, em outras palavras, em situação de falência social. Diante do desconhecido, do fracasso das crenças ancestrais, é necessário buscar uma solução urgente. Ao que parece as sociedades não conseguem analisar com alguma tranquilidade a crise que estão vivendo e, então, lançam mão do conhecido bode expiatório. É preciso sacrificar o bode para aplacar a ira dos deuses! É preciso matar.

 

Médico colhe sangue da população em Tuskegee, estado do Alabama, EUA. Durante 40 anos, 400 homens viveram sem saber que eram cobaias de um experimento científico | Foto: National Archives Atlanta, GA/Wikipedia

 

Na atualidade, a crise de valores, o fracasso das políticas econômicas, as inúmeras guerras, o declínio das organizações tradicionais, como família monogâmica e heterossexual, religiosidade e hierarquia fundamentada na idade, o desaparecimento gradativo do trabalho, o surgimento de bolsões de fome e miséria, a migração dos que fogem da morte certa em seus lugares de origem provocam medo, incerteza sobre a sobrevivência humana, desconfiança generalizada. Essas são sensações que causam muito desconforto, por isso, possivelmente, geram a necessidade de encontrar um culpado pelo mal.

 

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Adaptado do texto “Genocídio”

*Nicolina Luiza de Petta é historiadora, escritora, professora e pesquisadora. Licenciada em História pela FFLCH/USP. Autora de livros didáticos, entre os quais História, uma abordagem integrada (Moderna) e A fábrica e a cidade até o século XX (Atual).