Escola sem partido ou escola de partido único?

O disfarce do "novo projeto conservador"

Por Davi Ramos, Victor Santana de Araújo e Fábio Ap. Jesus | Foto: Revista Sociologia | Adaptação web Isis Fonseca

Escola sem partido

Nos últimos anos no Brasil é possível observar um grande crescimento de tendências políticas conservadoras. Esse fenômeno pode ser explicado por várias razões e vale ressaltar que ele não é uma particularidade nossa.

Tivemos nos Estados Unidos a eleição do empresário ultraconservador republicano Donald Trump, na França observou-se na última eleição presidencial o renascimento do clã “Le Pen” com a ida ao segundo turno de Marine Le Pen.

Contudo, apesar de não ser uma exclusividade do Brasil, a ascensão conservadora, por aqui, ganhou ares absolutamente únicos. Relacionados principalmente a duas características importantes de nossas elites.

Primeiro: uma fantasiosa e delirante ameaça comunista, da qual o Brasil será vítima, caso não tomemos as devidas providências. O que inclui todo tipo de delírio intervencionista no processo democrático, seja ele pela via militar, legislativa ou jurídica.

Segundo: historicamente, nos últimos 100 anos, todas as vezes que nossas elites se viram perdendo seus privilégios coloniais, houve algum tipo de intervenção direta no processo democrático e com isso a ascensão de um regime conservador.

Os 14 anos de governo do Partido dos Trabalhadores – que, com todos os defeitos, distribuiu melhor a renda, reduziu a mortalidade infantil, abriu maiores oportunidades aos mais pobres nas universidades, expandiu o sistema de cotas, combateu com sucesso a fome e a miséria extrema – e esse conjunto de mudanças davam às elites motivos suficientes para uma nova guinada conservadora.

Chegando a afirmar como lema das passeatas de 2016, que resultou no processo de impeachment da presidenta Dilma, os seguintes dizeres: “Queremos nosso país de volta!”.

E para a conclusão desse “novo projeto conservador” é extremamente necessário apropriar-se do modelo educacional vigente, afinal é imprescindível educar as novas gerações de acordo com a nova ordem estabelecida. Esse aspecto de “novo projeto conservador” pode ser visto com enorme clareza na emenda parlamentar “Escola sem Partido”, bem como no movimento homônimo.

Abordaremos ambos de uma perspectiva histórica e social, de modo a tentar destrinchar as diversas ideologias presentes na tese, criada por esse grupo, denominada “doutrinação ideológica”. Nesse sentido, buscaremos a resposta para a provocação feita no título deste artigo. Tal projeto busca de fato uma escola “sem partido” ou uma escola de “partido único”? Identificando para isso os diversos sujeitos históricos e instituições que estão por trás desse amplo e novo projeto de Brasil.

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