Governo Temer não está resolvendo a economia

Conceito desenvolvido por Raymundo Faoro em Donos do poder encontra-se no cerne da crise econômica brasileira ao descrever privilégios de determinados grupos em relação ao Estado

Por Isaias Albertin*e Hugo Iasco Pereira** | Foto: Marcos Corrêa/PR/Agência Brasil| Adaptação web Caroline Svitras

A economia brasileira, entre 2014 e 2016, acumulou reduções reais do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de -9,16%, fazendo com que caíssemos da 7ª para a 9ª maior economia do mundo. Conjugadas a essa situação recessiva, as contas públicas acumulam déficits primários desde 2014, isto é, excluído o pagamento de juros, o governo brasileiro está gastando mais do que arrecada, se endividando para financiar seus gastos.

 

Em 2014 faltaram R$ 20,5 bilhões no caixa. As principais soluções encontradas pelo governo Temer para conter as despesas foram: propor uma reforma na Previdência Social, realizar privatizações e congelar as despesas primárias conforme a inflação por 20 anos.

 

A equipe econômica de Temer está tentando fazer o seguinte: disciplinar as despesas discricionárias e reduzir as obrigatórias. Grosso modo, as rubricas das contas públicas podem ser divididas naquelas “obrigatórias”, que o gestor público não tem poder de realocação de verba, como a Previdência.

 

Equipe econômica de Temer anunciada em 2016: o secretário do Tesouro Nacional Otavio Ladeira, secretário de Política Econômica Carlos Hamilton, presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, presidente Temer, ministro da Fazenda Henrique Meirelles, secretário executivo Tarcisio Godoi, secretário de Acompanhamento Econômico Mansueto Almeida e secretário da Receita Federal Jorge Rachid | Foto: Lula Marques/Agência PT/fotos públicas

 

 

 

Embora o governo Temer adote um discurso de austeridade econômica, ele continua abrindo os cofres e facilitando o acesso a dinheiro público para os membros do estamento burocrático. Independentemente do déficit de R$ 56,09 bilhões nas contas públicas no primeiro semestre deste ano, o pior resultado em 21 anos; o governo Temer, de junho a outubro, liberou mais de R$ 2,8 bilhões em emendas para agraciar principalmente a bancada ruralista. Temer solta emendas e perdoa dívidas de empresas com a União em troca de apoio político. A economia está completamente refém da política, e a política se tornou representante de setores específicos do mercado e não de um projeto de nação.

 

Confira o artigo na íntegra para saber mais. Garanta a sua revista Sociologia Ed. 73 aqui!

Adaptado do texto “Temer ao estamento burocrático, não à economia”

*Isaias Albertin de Moraes é economista, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp/Araraquara.

**Hugo Carcanholo Iasco Pereira é economista, doutorando em Economia pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais da Universidade Federal de Minas Gerais – Cederplar/UFMG.