História da Sociologia – A Origem

Relembre importantes momentos do desenvolvimento histórico da Ciência Social, especialmente no Brasil

Por Sérgio Sanandaj Mattos | Foto Shutterstock | Adaptação web Isis Fonseca

História da sociologia

O presente artigo caracteriza-se como uma retrospectiva, de modo a permitir aos novos sociólogos, estudantes, professores e leitores conhecerem parte do temário da imensa agenda de debates e importantes momentos da história da Sociologia e de suas organizações, registrados nesta coluna. A seguir, uma apresentação de parte da temática que pautou esta coluna ao longo de sucessivas edições, ainda que de forma parcial.

Reconhece-se que os temas adotados parecem refletir mais usualmente interesses pela escolha de diversas modalidades do campo da Sociologia, selecionadas intencionalmente como caráter explicativo.

O autor entende que o seu estudo traz à tona temas que exprimem não só a história da Sociologia, sua evolução, trajetória, organizações, protagonistas, mas o gosto de interpretar e resgatar ao seu modo uma parcela do desenvolvimento da Sociologia, e, dessa forma,  contribuindo para a compreensão da formação e trajetória desse importante campo do conhecimento social.

Estimulado pela revista Sociologia a escrever sobre a história das organizações dos sociólogos e da Sociologia em 2007, o autor entende que o seu estudo é uma contribuição a uma lacuna dos estudos sociológicos a respeito da formação das organizações da Sociologia, especialmente a brasileira.

Inaugurando a coluna em 2007, na edição número 8, no artigo “O período dos pensadores sociais” (p. 24-25), há uma contribuição para a compreensão do percurso pelo qual a Sociologia se tornou uma disciplina universitária no decorrer dos séculos XIX e XX, lembrando que muitos pioneiros do desenvolvimento da Sociologia no Brasil eram escritores, autodidatas ecléticos sem passagem por uma formação acadêmica, até porque nesse período a Sociologia é uma ciência ainda em processo de consolidação.

Vale lembrar que a instituição de cursos de Sociologia e Ciências Sociais no ensino superior no Brasil ocorre a partir da criação do primeiro curso de Sociologia no Brasil, da Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo (1933), da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (1934) e do curso de Ciências Sociais da Universidade do Distrito Federal (1935).

Na seqüência, a coluna abordou o chamado período “Sociologia de cátedra nas escolas” (ed. 9, p.26-27). Lembrando brevemente, segundo diversos autores, que a disciplina foi introduzida enquanto cátedra pela primeira vez em 1925, com a criação da cadeira no tradicional Colégio Pedro II, e nas Escolas Normais do então Distrito Federal (RJ) e do Recife em 1928.

Seguiu-se nessa perspectiva, com o artigo “O período da Sociologia Científica” (com início na década de 1950), na edição n. 10, que em uma breve síntese destacou como um marco e caracterização desse período a consolidação da chamada “Escola Paulista de Sociologia”, núcleo composto por alunos e colaboradores do professor Florestan Fernandes.

Ainda, em prosseguimento à temática das etapas e períodos que marcam o desenvolvimento da Sociologia brasileira, esta coluna tratou do reconhecimento da profissão de sociólogo no Brasil (ed. 13, p.26-27) enquanto fase da profissionalização e etapa da evolução da Sociologia no Brasil, compreendida por alguns autores como parte do “período da crise e reação da Sociologia”, após o golpe civil-militar de 1964.

Nesse sentido, é sempre bom relembrar a importância e a forte  presença de Florestan Fernandes na Sociologia brasileira, que inaugura na década de 60 a Sociologia crítica. Sua presença bastante sentida empresta o nome para um importante prêmio da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), tema inclusive de artigo apresentado nesta coluna (Prêmio Florestan Fernandes, ed. 34, p. 22-25).

Em 2003, em reconhecimento à importância da contribuição de Florestan Fernandes para a construção da Sociologia no Brasil, a SBS instituiu o “Prêmio Florestan Fernandes”, concedido a cada dois anos, por ocasião dos congressos brasileiros de Sociologia, a destacados sociólogos que, por sua atuação, produção, trabalho e dedicação à área, são marcos de referência para a Sociologia no Brasil.

Adaptado de Revista Sociologia Ciência & Vida Ed. 63