Leitura e educação

Projeto Ler e Escrever: Fonte do Saber, elaborado pela Secretaria Municipal de Educação de Atibaia, se destaca e recebe prêmio por estimular o hábito de ler e a prática da escrita nas escolas da cidade

Por Lucas Vasques* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

 

“Um país se faz com homens e livros.” Essa máxima pronunciada por Monteiro Lobato, um dos ícones da literatura nacional, se mostra mais atual do que nunca. E na esteira desse pensamento, algumas iniciativas vitoriosas ajudam, sobremaneira, a desenvolver o hábito da leitura e formar leitores no Brasil, o que, sem dúvida, faz com que a Educação ratifique sua missão de criar cidadãos conscientes e participativos em relação aos destinos do país.
Um dos exemplos é o Projeto Ler e Escrever: Fonte do Saber, idealizado pela Prefeitura de Atibaia, município localizado a 69 quilômetros de São Paulo. Por meio dessa atividade, que incentiva o hábito da leitura e a prática da escrita, a cidade conquistou o título do Reconhecimento Município Leitor, do Projeto Trilhas, promovido pelo Instituto Natura. Entre três participantes, apenas outros dois municípios – Sobral, no Ceará, e Paranamirim, no Rio Grande do Norte – foram selecionados e premiados com um acervo de livros de renomados autores nacionais e internacionais. As obras foram distribuídas nas escolas municipais.

 
Com a conquista, Atibaia foi homenageada durante o 6º Fórum Nacional Extraordinário, que discutiu, entre os dirigentes municipais do setor de todo o país, o fortalecimento da gestão das políticas educacionais, para garantir o direito de todos à educação. Durante a realização do evento, em Florianópolis, Santa Catarina, os representantes do Instituto Natura apresentaram a Semana do Livro e da Leitura como modelo de projeto educacional, a fim de inspirar os municípios a investir na formação leitora de seus cidadãos.

 
A professora Maria Lúcia Nunes Serrano, pedagoga, com licenciatura plena em Metodologia de Ensino das Séries Iniciais, e, atualmente, no cargo de gerente da Divisão Técnica Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Atibaia, foi quem elaborou o projeto, que atende 13 mil alunos de Educação Infantil, Ensino Fundamental e EJA (Educação de Jovens e Adultos).

 
Ela explica como funciona o Ler e Escrever: Fontes do Saber. “Apesar de ter sido elaborado por mim, o projeto contou com a participação dos técnicos, gestores e professores da rede municipal, embasados nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2010) e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de Língua Portuguesa. Por meio dele, buscamos desenvolver habilidades leitoras e escritoras em nossos alunos, propondo que as leituras, as atividades de mobilização e incentivo, feitas diariamente com os alunos de todos os anos (Creche, Educação Infantil, Ensino Fundamental I e EJA) contribuam para a formação de leitores e escritores competentes”, explica.

 

Projeto Ler e Escrever: Fonte do Saber contou com o envolvimento direto de vários profissionais, entre professores, gestores e contadores de história

 
“Ao invés de apenas nos queixarmos que grande parte de nossos alunos vem de um lar sem acesso à leitura e escrita, proporcionamos a eles esse acesso ao mundo letrado em sala de aula e, por meio da maleta literária enviada para casa, com diversos gêneros textuais, envolvemos a família nessa conquista. Assim, não permitimos que a queixa fosse inibitória de reflexões e ações. Em nossa Jornada Literária, além dos livros enviados às escolas para complementação do acervo, em outubro, no evento de culminância do projeto, cada aluno pôde escolher uma obra, indicada para sua faixa etária, e levar para casa. Dessa forma, um aluno da rede municipal de Atibaia que iniciar sua vida escolar no berçário, até o término do Ensino Fundamental I terá um pequeno acervo com, pelo menos, 11 livros”.

 
A iniciativa, segundo Lúcia, provocou mudanças significativas no cenário local. “Na rede municipal, embora importantes ações tenham sido adotadas ao longo dos últimos anos, com o intuito de incentivar a leitura, a queixa constante dos professores, a respeito da grande dificuldade apresentada pelos alunos na interpretação do que é lido e na produção de textos, persistia. Dificuldade essa comprovada por meio dos resultados nas Avaliações Unificadas da Rede Municipal e nas Avaliações Externas (Saresp, Provinha Brasil e Prova Brasil). Embora nosso município possua um bom Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), 6.4, ao fazermos uma análise mais detalhada do panorama de aprendizagem, por unidade escolar, constatamos que essa nota não retrata a realidade de todas as escolas, sendo necessário promover ações que assegurem um melhor aprendizado para todos os alunos de todas as unidades escolares, promovendo excelência com equidade”.

 

Maleta viajante

 
Lúcia conta que o projeto coloca em prática inúmeras ações: “Buscamos desenvolver habilidades leitoras e escritoras em nossas crianças, propondo que certas atividades sejam feitas diariamente com os alunos de todos os anos, mesmo os que estejam nas creches ou em processo de alfabetização, tendo como finalidade a formação de leitores competentes e, consequentemente, de escritores capazes de produzir textos coerentes, coesos, adequados e ortograficamente escritos. Para atingir esse objetivo, acreditamos na necessidade de dar oportunidades aos nossos alunos de conhecer os produtos da comunicação escrita. Daí, a importância das atividades diárias de leitura e escrita e a escola é um lugar privilegiado para que os alunos entrem em contato com diversos textos e compreendam suas características”.

 

Lúcia: “Ao invés de apenas nos queixarmos que grande parte de nossos alunos vem de um lar sem acesso à leitura e escrita, proporcionamos a eles esse acesso ao mundo letrado em sala de aula”

 
Nessa perspectiva, reflete a professora, a prática de produção de textos precisa ocorrer num espaço em que sejam consideradas as funções e o funcionamento da escrita, bem como as condições nas quais é produzida: para que, para quem, onde e como se escreve. “Por isso, as coleções adotadas pela rede municipal de ensino (Buriti Mirim – Infantil; Projeto Buriti e Girassol – Ensino Fundamental; Porta Aberta – 1º ano; É Bom Aprender – EJA e Aprova Brasil – 5º ano) se tornaram aliadas do processo, uma vez que retomam o trabalho com ortografia e gramática, com o intuito de ativar os conhecimentos já construídos pelos alunos, ampliando tais conhecimentos, levando os alunos a empregá-los corretamente, além de propor atividades reflexivas e estruturadas de produção textual. Incentivamos a equipe de cada unidade a conhecer o acervo disponível para que, com sua utilização correta, possa expandir o conhecimento dos alunos; otimizar a biblioteca escolar e os cantinhos de leitura das salas, tornando esses ambientes organizados e atrativos. Incentivamos, ainda, o acesso às bibliotecas públicas, estimulando a busca da leitura como fonte de prazer e de saber, também fora da escola.” A atuação de Márcia Aparecida Bernardes, secretária municipal de Educação de Atibaia, foi fundamental, no sentido de criar a possibilidade do projeto acontecer. Márcia é pedagoga, com licenciatura plena em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. “Nossa conquista mostra que estamos no caminho certo para oferecermos um ensino de excelência no município. Desde o início do mandato, investimos em diversos cursos para aprimorar a formação dos professores e a qualidade do conteúdo apresentado na sala de aula, e na construção de novas escolas e creches, para cuidar, também, da educação básica”, destaca.
Márcia conta que foram adquiridos 12 mil livros, em processo licitatório, por meio de pregão eletrônico, e distribuídos às escolas para compor os baús de cada ano dos Centros de Educação Infantil (Creches), Educação Infantil, Ensino Fundamental I e Educação de Jovens e Adultos (EJA, Pró-Jovem e Brasil Alfabetizado), atingindo diretamente 13 mil alunos e, consequentemente, seus familiares. “Nunca é demais ressaltar que para sermos capazes de despertar nos alunos o gosto pela leitura é fundamental que sejamos grandes apaixonados pelos livros. O professor precisa se reconhecer como leitor e gostar de se entender nessa condição. A Secretaria Municipal de Educação, por meio de sua proposta pedagógica, promoveu estudos de formação continuada, objetivando instigar o professor na busca por saberes fundamentados e que vão ao encontro de suas práticas de ensino. Nessa perspectiva, para a promoção e articulação do projeto, viabilizamos encontros para estudos sobre a importância do professor leitor e para socialização das atividades que compõem essa iniciativa”, revela a secretária, ressaltando que a iniciativa mobilizou cerca de 700 profissionais da área de Educação, além de parcerias com as secretarias de Comunicação, Turismo, Cultura, Eventos e Trânsito.

 
Apesar de ser a principal responsável pelo Projeto Ler e Escrever: Fonte do Saber, Lúcia Serrano faz questão de dividir os méritos. “Considero muito importante ressaltar que ninguém faz nada sozinho. Dessa forma, gostaria de mencionar, também, a fundamental importância de todos os envolvidos: gestores, professores, equipe técnica e pedagógica, pais e alunos. Agradeço, ainda, ao prefeito Saulo Pedroso, ao vice Mario Inui e à secretária Márcia Bernardes, que, ao me confiarem essa missão, deram vez e voz a todos os professores da rede municipal de educação de Atibaia, pois sem esse convite o projeto jamais teria sido realizado”.

 

 

 

 

Problemas

A necessidade de se criar mecanismos para instrumentalizar e apoiar o trabalho docente no campo da leitura, escrita e oralidade ganha cada vez mais importância no processo educacional brasileiro. O cenário, no entanto, ainda apresenta dificuldades. “Entendo que há um problema grave, que atrapalha os projetos: os professores não gostam de ler. As crianças da educação infantil e do ensino fundamental costumam aprovar qualquer atividade de contação de histórias e de leitura, os livros infantis são maravilhosos, com projetos gráficos e histórias muito boas. Mas nada disso é suficiente se não há professores que gostem de ler e de desenvolver as atividades de leitura com as crianças ou o façam burocraticamente”, avalia Rosemary Roggero, graduada em Letras e Pedagogia, mestre e doutora em Educação, docente pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Gestão e Práticas Educacionais da Universidade Nove de Julho. Ex-secretária de Educação, hoje ela desenvolve o projeto de implantação da Escola de Governo e Gestão do Município de Mogi das Cruzes.

 
Edna de Oliveira Telles tem a mesma opinião: “São muitas as iniciativas, inclusive do governo federal, e demais instâncias governamentais em distribuir materiais e desenvolver projetos e concursos que tenham como objetivo melhorar a leitura e a escrita de crianças e jovens. São ações que, de certa forma, beneficiam a população, em geral, e a escolar, especificamente. Mas a questão é muito mais complexa. É necessário investimento na formação de professores leitores (formação inicial e continuada) e de professores como formadores de leitores, onde a leitura e a escrita são vistas como conteúdo relevante e não, apenas, como meio ou forma de ensinar e aprender outros conteúdos. As equipes gestoras das escolas (coordenação pedagógica e direção) também precisam participar de formações, que deem subsídios para que elas organizem o trabalho pedagógico na escola, visando o desenvolvimento da escrita e da leitura de todos/as os/as alunos/as. É preciso, ainda, investimento em bibliotecas e salas de leitura nas escolas, cuidando do acervo e das pessoas responsáveis pelas mesmas, para que esse espaço seja utilizado como ambiente formador de leitores, como fomento ao prazer de ler e, por que não, produzir futuros escritores”. Edna é pedagoga, mestre em Sociologia da Educação e doutoranda em Educação. Trabalha há 18 anos na rede municipal de ensino de São Paulo, principalmente com os temas de alfabetização e letramento.

 

A Secretaria de Educação de Atibaia ofereceu diversos cursos de capacitação para os professores e gestores, com o objetivo de qualificar os profissionais

 
Rosemary acredita que iniciativas isoladas, como o Projeto Ler e Escrever: Fonte do Saber, funcionam muito bem. “O que elas têm em comum é serem projetos desenvolvidos por professores que adoram ler. Eles fazem o seu trabalho e são pouco observados ou reconhecidos. Secretarias de Educação procuram desenvolver projetos muito interessantes, distribuem materiais de qualidade e nem sempre o processo funciona, ou os avanços não são muito significativos. Também observo que pouco acompanhamento e avaliação dos processos e resultados dos projetos mais amplos também contribuem para uma perda de recursos. Penso que é preciso identificar e agir na questão do gosto pela leitura por parte dos professores, criar formas de acompanhamento e de avaliação dos projetos, para que possa haver mais avanços – e significativos. A questão do gosto pela leitura já se observa nos cursos de Pedagogia. É comum que os alunos não gostem de ler e se queixem, sempre, que um professor indica ou solicita uma leitura. Costumam pedir apostilas e textos curtos. É frequente que os professores universitários se queixem desse fenômeno, mas tendam a atender o pedido dos alunos, em lugar de investigar o problema e criar formas de enfrentá-lo. Então, minha visão é simples: é preciso fomentar o gosto pela leitura e isso só é feito por quem gosta de ler. Há pessoas que gostam de ler, mas não gostam de compartilhar esse prazer.”

 

Hábitos de leitura no Brasil

Descentralização

Em relação à municipalização de políticas públicas no setor, Rosemary acredita que o termo anda muito desgastado. “É utilizado como se fosse a panaceia para os problemas. E não é. Propostas, aparentemente muito boas, de políticas públicas podem não encontrar uma boa receptividade em ambientes diversos. Penso que é preciso compreender melhor as práticas sociais que decorrem das políticas ou impedem sua efetivação. Creio que isso é fundamental num processo de reaproximação da classe política com a sociedade civil. Se o diálogo não existe, se não há uma escuta ativa da classe política, fechada em seus velhos padrões de atitude e domínio, não há avanço. As políticas públicas tendem a ficar cada vez mais esvaziadas, ao mesmo tempo que tão requeridas. É uma contradição importante a ser superada na nossa realidade. Parece-me que os movimentos sociais recentes gritam nessa direção, mas os aparelhos de escuta da classe política não têm funcionado bem.”Para Edna, todos os estados e municípios têm a obrigação de propor ações de melhoria no aprendizado dos alunos, principalmente na leitura e na escrita: “Nesse caminho, surgem diferentes propostas ‘descentralizadas’, mas todas elas pautadas em documentos oficiais, que regem todo o sistema escolar, geralmente os parâmetros curriculares nacionais e outros documentos produzidos pelo Ministério da Educação e parceiros. Iniciativas, nesse sentido, sempre têm o intuito de contribuir. O grande problema é que, muitas vezes, embora descentralizadas, essas propostas e materiais disponibilizados para as escolas desconsideram o professor como autor, chegam às mãos das equipes docentes materiais prontos, inclusive com “receitas” de como devem ser usados, passo a passo. Há quem defenda esse tipo de ação pautado na visão de que o professor, que é autor, usará o material da forma como achar melhor, utilizando-se, também, de outros materiais de sua escolha, e que aquele professor que tem mais dificuldade usará o equipamento – que, geralmente, tem boa qualidade – como base única. Porém, a crítica é que há que se investir muito na formação de educadores, para que eles próprios construam seus materiais, baseados, inclusive, nas necessidades de seus alunos e comunidade escolar”.
Segundo Edna, no geral, os governos têm apresentado projetos e materiais interessantes, mas que, na maioria das vezes, não contemplam todos os professores. “Essa é uma logística que é difícil, mas é necessário enfrentá-la por ser de extrema importância. Ou seja, há que se oferecer cursos de formação para todos/as os/as professores/as, em diferentes horários, com incentivos como evolução na carreira. Acho que, nos últimos anos, não houve piora nem melhora significativa, houve tentativas. No entanto, em qualquer política pública há avanços e há dificuldades, principalmente em um país de dimensões continentais como o Brasil.”

 

Juventude e a literatura

 

Tecnologias

Doutora em Teoria e História Literária, professora e coordenadora do grupo de pesquisa Infância, Juventude, Leitura, Escrita e Educação, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Márcia Cabral se dedica ao tema de formação de leitores. Ela tem convicção de que o caminho para o tão sonhado acesso à informação, e em consequência, à educação, pode ser encurtado pela utilização das novas tecnologias.

 
Porém faz um alerta: “Esse recurso requer cuidados, pois as fontes podem ser pouco rigorosas. Talvez auxiliem os alunos a terem um primeiro contato, de modo bastante panorâmico. Importante confrontar os dados colhidos com as fontes impressas, que considero insubstituíveis. Internet e redes sociais não afastam os leitores do livro impresso, são suportes distintos, com finalidades distintas. Funcionam como mídias complementares”, analisa.
Em relação ao acervo das bibliotecas escolares, ela afirma que deveria ser o mais diversificado possível, com livros, jornais, revistas, obras de referência, livros didáticos, ensaios, dentre outros: “As bibliotecas escolares precisam ser reconhecidas como espaços de pesquisa e de entretenimento para os alunos e os professores. Além disso, devem estar abertas ao longo do dia e contar com a presença de um profissional qualificado, que conheça o acervo e sua organização. Não podemos aceitar improvisos em espaço tão importante como este na escola”.

 
Outro aspecto fundamental, avalia Márcia, é o papel dos mediadores de leitura: “Eles exercem função muito importante na formação do leitor. Especialmente no momento em que os leitores são pouco proficientes. No caso da criança pequena, por exemplo, podem contar uma história, explicando trechos mais densos. No que diz respeito aos mais velhos, podem provocar reflexões a partir do texto lido, contextualizar um texto datado. Os romances de época, por exemplo, costumam ser de difícil aceitação entre os mais jovens. Então, a observação do cenário da época, um filme com diálogos datados podem fazer toda a diferença na recepção do romance”.

 

Incentivando a leitura por meio dos quadrinhos

 
A professora ressalta que há um sem-número de possibilidade de desenvolvimento de ações de leitura, que podem ser implantadas na sala de aula. “Projetos de leitura, inspirados nos contos orais da tradição ibérica, da tradição indígena ou da tradição africana, são fontes muito ricas. Para cada projeto, seria necessária uma pesquisa específica, de modo a envolver os alunos, a comunidade escolar e os pais. Pode-se começar com uma entrevista na comunidade, estabelecendo-se um inquérito sobre os contos tradicionais mais conhecidos. De posse desses dados, as escolhas de autores e obras poderiam, então, constituir material de pesquisa para os projetos desenhados. Necessário, a meu ver, é não perder de vista o protagonismo dos alunos”, completa.

 

 

*Lucas Vasques é jornalista e escreve nesta publicação