As mudanças do PSB

Partido buscava se diferenciar dos comunismos stalinista, trotskista e maoísta, com um posicionamento independente

Por Dr. Alessandro Farage Figueiredo e Dr. Fábio Metzger | Foto Valter Campanato/Agência Brasil  | Adaptação web Isis Fonseca

Mudanças do PSB
Reunião da Executiva Nacional do PSB na sede do partido, em Brasília (Valter Campanato/Agência Brasil)

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) é um partido cujo histórico é de muitas idas e vindas, relações de aproximações e ambivalências com a sua ideologia mais declarada, o socialismo não leninista.

Importante observar que o PSB em termos de socialismo se distingue do que era comumente conhecido como o movimento socialista, na época de sua fundação.
Praticamente, o PSB faz parte de um movimento político esquerdista que cresceu no período pós-Segunda Grande Guerra chamado de “Nova Esquerda” (“New Left”).

Esse novo modelo de socialismo é formado sem um vínculo forte com o ativismo operário ou mesmo com o trabalhismo, assim adotando uma posição mais ampla de ativismo político, no caso do PSB, por exemplo, incluía questões de política petrolífera nacional.

Essa definição de “Nova Esquerda” a que o PSB aderiu com o nome de “Esquerda Democrática” reforçado pelo seu lema “Socialismo e Liberdade” busca corrigir
aquilo que considera errado nos tradicionais partidos de esquerda, por exemplo, o Partido Comunista Brasileiro (PCB), além de se associar a uma vasta gama de movimentos sociais distintos, como o movimento pela reforma agrária e o movimento pela nacionalização do petróleo.

No próprio estatuto atual do PSB encontramos no terceiro parágrafo do artigo primeiro a definição de “Esquerda Democrática”: “O PSB, fiel à democracia pluralista como valor político permanente; ao regime republicano e à forma federativa de organização administrativa do país; às elaborações socialistas e à luta pelos direitos individuais, coletivos, sociais, econômicos e políticos da cidadania, exerce suas atividades visando à realização de seus objetivos programáticos (…)” (Siqueira, 2015, p. 2).

Essa história está ligada a dois momentos políticos diversos, que estão diretamente relacionados ao processo de construção do regime democrático brasileiro:
primeiro, o período entre o final do Estado Novo (1945) e o golpe de 1964; posteriormente, a partir da redemocratização, em 1985 (ano em que o país elegeu o seu
primeiro presidente civil, desde 1960), até os dias atuais.

Do primeiro PSB se organizou uma legenda mais próxima de uma esquerda com um programa mais radical, no entanto compromissada com ideais democráticos;
em 1945, a organização nasce como a ED (Esquerda Democrática), para se lançar como PSB, finalmente, em 1947, sob o lema luxemburguista “Socialismo e Liberdade”.

Por não estar compromissado com uma rede de partidos socialistas ligados ao Partido Comunista da União Soviética não pairavam maiores dúvidas a respeito da atuação dos socialistas na vida política brasileira.

Por outro lado, ao longo das décadas de 1940, 1950 e 1960, jamais conseguiram grande representatividade nos poderes Executivo e/ou Legislativo nos três níveis do Estado brasileiro.

As características da organização do primeiro PSB procuravam priorizar mais quadros qualificados que expandissem uma cultura política própria do partido, mais do que estimular o surgimento de lideranças populares do ponto de vista eleitoral.

Assim um jornal ligado ao partido se manifestava: “No partido de Getúlio, Getúlio manda e todos os outros obedecem. No partido de Adhemar, Adhemar resolve e todos os outros cumprem. No partido de Prestes, Stalin dita e os microfones do Partido Comunista repetem. No partido de Dutra, Dutra manda e todos os demais apenas ouvem. No partido de Plínio, Plínio uiva e o bando todo faz coro. No partido de Borghi, Borghi vende e ele mesmo apura o lucro. No Partido Socialista Brasileiro, os militantes se reúnem, resolvem, e os dirigentes apenas executam aquilo que lhes foi determinado pela base” (Folha Socialista, 1950, apud Hecker, 1998, p. 87).

Na redemocratização, do segundo PSB surgiu uma legenda mais aderente de ideias moderadas, ora se aproximando do PMDB, nos anos 1980, do PT, nos anos
1990 e 2000, e do PSDB, mais recentemente, abrindo mão de aspectos programáticos e aderindo a um pragmatismo político maior.

Dentro de tal contexto, é preciso compreender o PSB enquanto um partido que buscou o caminho de uma esquerda independente, em que, entre os anos 1940 e 1960, buscava se diferenciar qualitativamente dos comunismos stalinista (representado no PCB), trotskista e maoísta (representado, a partir de 1962, no PCdoB), e do trabalhismo varguista (representado pelo velho PTB). Nesse sentido, o antigo PSB não priorizou tanto o crescimento eleitoral, optando mais pela formação de quadros partidários.

Leia sobre todas as mudanças do PSB na Revista Sociologia Ciência & Vida Ed. 71!