O Brasileiro está mudando

Sociólogo comenta sua carreira e fala sobre sua especialidade, os estudos sociodemográficos

Por Lejeune Mirhan* e Ricardo Antunes Abreu**| Foto: | Adaptação web Caroline Svitras

Em termos demográficos, o grande fenômeno que deve ser destacado nas décadas recentes é o envelhecimento populacional, a chamada transição demográfica. Ocorre um crescimento da parcela da população acima de 60 anos e diminuição da taxa de fecundidade (que já está abaixo de dois filhos por mulher em idade fértil), portanto, na proporção de crianças e jovens.

 

Essa mudança provoca desafios para as políticas públicas, previdência e mercado de trabalho, todos pressionados pela longevidade. Em termos demográficos nos aproximamos, sim, dos países do continente europeu e dos asiáticos. É importante salientar que, se por um lado o avanço tecnológico tem servido para melhorar a qualidade da saúde das pessoas, fazendo com que elas vivam mais, por outro lado tem gerado um aumento do desemprego, uma vez que a máquina vem ocupando o lugar de vários trabalhadores.

 

A escolaridade média do brasileiro tem crescido também, mas em ritmos distintos. As taxas de crescimento mais elevadas se encontram nos nove anos do ensino fundamental, praticamente universalidade no Brasil. O ritmo do crescimento das taxas do ensino médio também foi elevado, mas nesse segmento o maior desafio é a qualidade do ensino, como revelam as pesquisas. Os egressos apresentam déficit no aprendizado das linguagens e matemática, que acabam impactando seu ingresso no ensino superior. Um grande avanço do ensino médio foi a obrigatoriedade do ensino de Sociologia, que propiciou ampliar a visão crítica dos jovens e auxiliar no preparo para o Enem.

 

A proporção entre homens e mulheres se mantém estável, os desafios de gênero se situam em outras questões, como os menores rendimentos femininos no mercado de trabalho, violência doméstica e misoginia. Em termos de raça/cor/etnia, há estabilidade também nos aspectos demográficos. Como dissemos, os desafios para superação da desigualdade socioeconômica, entre negros e brancos, reside na ampliação das políticas afirmativas nas universidades, no combate ao racismo e nas políticas públicas específicas, principalmente para as mulheres negras.

 

Texto retirado da entrevista “O Brasileiro está mudando”, publicada na revista Sociologia Ed. 68. Garanta a sua aqui.

*Lejeune Mirhan é sociólogo, professor, escritor e arabista. Colunista da revista Sociologia (Editora Escala) e colaborador do portal da Fundação Maurício Grabois e do Portal Vermelho. Foi professor de Sociologia e Ciência Política da Unimep entre 1986 e 2006. Presidiu o Sinsesp de 2007 a 2010. E-mail: lejeunemgxc@uol.com.br

**Ricardo Antunes Abreu é formado pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo há 25 anos. É sociólogo concursado na Prefeitura de Guarulhos, desde 1996, e trabalha atualmente na Coordenadora de Assuntos Aeroportuário, onde integra um núcleo composto de vários órgãos da municipalidade que visa realizar estudos e diagnósticos sobre o desenvolvimento social e econômico referente ao município de Guarulhos. Fez pós-graduação em Gestão Pública pela Unicamp. Tem atuado muito na questão dos estudos sociodemográficos. Foi sindicalista por muitos anos, tendo sido secretário-geral do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo (Sindsesp) e presidente da Federação Nacional dos Sociólogos – FNS (Gestão 2011-2014). É criador e administrador da rede chamada Associação Virtual de Sociólogos (Aviso), criada em setembro de 2008.