O cai/não cai de Michel Temer

Por Daniel Aurélio | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil | Adaptação web Caroline Svitras

Logo após o vazamento dos áudios de sua conversa pouco republicana com o empresário Joesley Batista, Michel Temer fez um pronunciamento com gestos teatrais e fala contundente, no qual afirmava: “Eu não renunciarei”. Desde então sua posição como presidente do Brasil, que já não era das mais confortáveis, transformou-se em uma das mais dramáticas novelas da política nacional. Sua popularidade despencou para níveis inferiores aos de José Sarney, Fernando Collor e Dilma Rousseff. Mesmo assim conseguiu vitórias no TSE (no processo de cassação da chapa das eleições de 2014) e na Câmara dos Deputados, que rejeitou dar continuidade ao processo aberto por Rodrigo Janot, procurador-geral da República. É preciso lembrar que os movimentos conservadores que saíram às ruas pedindo o impeachment de Dilma não repetiram a dose com seu sucessor. Estes temem pela volta de Lula.

 

Michel Temer sustenta-se no governo basicamente com o apoio de banqueiros e empresários, ávidos pelas reformas do governo, e por conta das barganhas com a bancada ruralista e com o chamado “baixo clero” do Congresso, tradicionalmente fisiológico, o que garante a Temer uma maioria relativamente confortável, mas que, ao contrário do que se imagina, não garante a estabilidade necessária para o Brasil sair da crise política e econômica. E não é só a esquerda que deseja sua saída. Intelectuais liberais, veículos de mídia e até mesmo alguns líderes patronais acreditam que sua permanência no centro do poder não é moralmente aceitável.

 

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