O fato social como objeto da Sociologia

Se para Marx o estudo da sociedade deve partir das classes sociais e para Weber parte da ação social, para Durkheim é preciso o fato social, que é todo fenômeno social que possui objetividade e coercitividade

Por Yago Junho* | Fotos retiradas da revista | Adaptação web Caroline Svitras

 

 

 

Todo fato social é externo ao homem, está na sociedade. Por exemplo, quando nascemos temos que aprender uma língua para nos comunicarmos. Não fomos nós que criamos o idioma. Outro exemplo, somos obrigados a internalizar os valores, costumes e crenças de nosso meio social. Sem essa internalização é impossível nos inserirmos em alguma comunidade, daí o caráter coercitivo de todo fato social.

 

Émile Durkheim se esforçou para criar regras para o método sociológico. Toda pesquisa que fazia seguia o seguinte roteiro: definição do tema, refutação das teorias anteriores que interpretavam o tema escolhido para o estudo e, por fim, nova explicação sociológica do tema em busca de outra definição e classificação. O rigor, o levantamento minucioso de dados e estatísticas e o caráter monográfico passaram a ser o fiador da seriedade e da cientificidade dentro da Sociologia.

 

No livro A divisão do trabalho social, Durkheim analisa as relações entre os indivíduos e meio coletivo em que vivem. Nosso corpo é formado por órgãos e cada um desempenha uma função específica, da mesma maneira a sociedade, teorizada por ele como organismo social. Deriva desse entendimento o conceito de solidariedade social que é a complementariedade de funções entre os indivíduos que compõem uma coletividade. Detalhe: na visão de Émile Durkheim a sociedade é tudo e o indivíduo não é nada. Tudo no meio social tem um função. Existem dois tipos de solidariedade, dependendo do nível de desenvolvimento atingido por uma sociedade. São elas: solidariedade mecânica e solidariedade orgânica.

 

Émile Durkheim

A solidariedade mecânica se firma em sociedades “primitivas”. Em uma tribo indígena, por exemplo, o que um índio sabe todos os outros sabem também. Ou seja, os indivíduos, além de se diferenciarem pouco, nutrem os mesmos valores. Já em sociedades “complexas” como as nossas é impossível ao indivíduo deter todo o conhecimento necessário às demandas de uma comunidade. Não é factível um ser humano ser ao mesmo tempo astrônomo, antropólogo, filósofo, físico, decorador, estilista etc. nessas sociedades nas quais vigora a solidariedade orgânica. É exatamente essa solidariedade que permite que a sociedade tenha ordem, por conseguinte gera o progresso (desenvolvimento).

 

Outro aspecto importante diz respeito ao conjunto de comportamentos que a sociedade espera que o indivíduo cumpra. Existem valores, ideias e crenças que são compartilhados por todos. A esses padrões “normais” de conduta, Durkheim definiu como Consciência Coletiva. Importante ressaltar que em coletividades nas quais a solidariedade é mecânica, a força da Consciência Coletiva é quase absoluta e se mostra através das punições rigorosíssimas aos que não a seguem. Aqui o direito repressivo tem por objetivo devolver a ordem para a sociedade. “O vínculo de solidariedade social a que corresponde o direito repressivo é aquele cuja ruptura constitui o crime. Chamamos por esse nome todo ato que, num grau qualquer, determina contra seu autor essa reação característica a que chamamos crime […]” (Durkheim, 1999, p. 39).

 

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Adaptado do texto “O fato social como objeto da Sociologia”

*Yago Junho é sociólogo e mestre em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Juiz de Fora e autor do livro Sociologia Pau Brasil, pela Editora Multifoco. E-mail: yeuzebio@gmail.com