O legado da Rio 2016

A capacidade de o brasileiro organizar com eficiência, criatividade e baixo custo eventos grandiosos como esses jogos internacionais

Texto Redação | Foto Franscisco Medeiros/ME/Fotos públicas

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O legado da Olímpíada de 2016, realizada na cidade do Rio de Janeiro (RJ), é plural. Comentam-se (ainda que não sem críticas e ceticismos) os aprendizados na diplomacia brasileira, no comércio e no turismo cariocas, a infraestrutura esportiva que será aproveitada a posterior pelos atletas e, sobretudo, a capacidade de o brasileiro organizar com eficiência, criatividade e baixo
custo eventos grandiosos como esses jogos internacionais. Diga-se de passagem, esses em nada perdem, em grandiosidade, para o Carnaval do Rio, de Olinda (PE), de São Paulo (SP). Ou seja, em matéria de festas (porque se trata da maior festa do esporte mundial), o que já se praticava foi ampliado, profissionalizado, constituindo uma espécie de manual para ser utilizado nas próximas experiências nesse sentido. Contudo, ficou evidenciado nos jogos o caráter da diversidade do povo brasileiro, na forma como foram apresentadas sua música, suas artes em geral e, em particular,
suas muitas raízes. Ainda no quesito diversidade, o universo LGBT esteve em destaque, na cobertura da mídia nacional e estrangeira, nas manifestações de amor entre casais do mesmo sexo (compostos por atletas e/ou membros das equipes de apoio aos Jogos), na transparência e orgulho desses ao escancarar sua opção sexual ou de gênero. Algo que se evidenciou, sobretudo, no carregamento da Tocha Olímpica, que foi feito em diversos momentos por indivíduos transgênero como o cartunista Laerte, que recebeu com muita honra a incumbência. “É o reconhecimento
de uma identidade que sempre ficou marginalizada. Elas estarem lá é reconhecer que essas pessoas são cidadãs, que merecem estar ali ou em qualquer lugar onde elas queiram estar. É uma questão de reconhecimento e empoderamento. Isso é muito importante neste momento de retrocesso que vivemos, com políticos ainda com pensamentos muito retrógrados”, afirmou a socióloga Renata Feital, professora da Universidade Veiga de Almeida, à imprensa. Dessa forma, também a tolerância, a união e o respeito mútuo, valores olímpicos, transpuseram a fronteira dos esportes para deixar suas marcas não só na história dos Jogos Olímpicos, mas na vida de todos os que acompanharam esta Olimpíada, no Brasil e ao redor do mundo.

(Fonte: http://www.ebc.com.br/esportes/rio-2016/2016/08/cinco-momentos-Rio2016-Olimp%C3%ADada-LGBT)