O planeta em desordem mundial

O mundo caminha, inevitavelmente, para a multipolaridade. A maior potência da Terra hoje é, ao mesmo tempo, o país mais endividado

Por Lejeune Mirhan* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Moniz Bandeira é escritor que dispensa apresentações. Mas é dever de resenhista falar do autor e aqui vamos nós. Fico orgulhoso de manter com esse vigoroso intelectual uma amizade, ainda que distante (ele mora na Alemanha há 20 anos). Recebi dele um exemplar e o li nos primeiros dias. Falamo-nos amiúde pelo Skype, onde trocamos impressões sobre o momento que vivemos. A identidade de pontos de vista é imensamente grande.

 

Moniz tem pelo menos 20 livros publicados. Seu primeiro livro foi lançado em 1973 e tinha o sugestivo título: A presença dos Estados Unidos no Brasil. Recebeu em 2006, da União Brasileira de Escritores, o Troféu Juca Pato, pela sua vigorosa obra A formação do império americano. Em 2014 foi indicado pela UBE para o Prêmio Nobel de Literatura. Seu livro anterior a este, A segunda guerra fria, que eu também resenhei, já foi traduzido para várias línguas. Excepcional.

 

A volta da Guerra Fria

 

Nunca é demais dizer que Moniz tem sido, há décadas, o historiador e cientista político que mais tem feito denúncias contra o império estadunidense, contra as suas intervenções em nosso subcontinente e sua participação nos inúmeros golpes de Estado por aqui praticados com ou sem os militares.

 

Moniz foi um lutador contra a ditadura. Esteve por isso preso por dois anos. Ainda que sua formação seja em direito, ele é doutor em Ciência Política pela USP. Foi professor – hoje aposentado – da UnB e da UFBA. Lecionou em pelo menos dez universidades no mundo, sendo doutor honoris causa de várias delas.

 

 

O conteúdo da obra

Os capítulos são estanques uns dos outros, de forma que os leitores poderão lê-los de acordo com os seus próprios interesses. No início de cada um deles, como nos livros mais antigos – que eram muito bons sob esse aspecto –, há pequenas palavras ou frases-chave, de forma a termos uma ideia real do seu conteúdo.

 

Precisamos falar sobre o imperialismo

 

Nesse sentido, ele aborda temas amplos e muitas vezes díspares da política internacional, mas todos interligados para chegar ao ponto central, qual seja: constatar uma desordem mundial em busca de uma nova ordem. Os temas são: nazifascismo (em crescimento hoje); as duas esferas de influência do pós-guerra; OTAN; macarthismo; o 11 de setembro e a decadência da democracia; invasão do Iraque em 2003 comparada à invasão da Polônia em 1939; a direita cristã nos EUA; o papel de Obama, o “Nobel” da Paz; o perigo do cerco à Rússia pela OTAN; EUA como polícia do mundo; o poder dos oligarcas; a ascensão de Putin; a questão da Ucrânia; o apoio dos EUA aos jihadistas na Síria; a mídia corporativa e a fabricação de notícias com ajuda de ONGs estrangeiras; a origem da Frota do Mar Negro e aspectos da Revolução Russa (capítulos 11 e 12, mais históricos), entre tantos outros assuntos relevantes da geopolítica mundial.

 

 

 

 

Revista Sociologia Ciência & Vida Ed. 68

Adaptado do texto “O planeta em desordem mundial”

*Lejeune Mirhan é sociólogo, professor, escritor e analista internacional. Foi professor de Sociologia e Ciência Política da Unimep. Presidiu o Sindicato dos Sociólogos do Estado de SP e a Federação Nacional dos Sociólogos. Possui nove livros publicados nas áreas de Sociologia e Política Internacional. É colaborador do portal Vermelho, da Fundação Grabois e desta revista. E-mail: lejeunemgxc@uol.com.br