O que são culturas híbridas?

Por Claudia Bourseau* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

A ideia de culturas híbridas está ligada ao processo de globalização. Com o desenvolvimento de tecnologias de comunicação cada vez mais ágeis, as “trocas” culturais ocorrem em uma dimensão praticamente impossível de registrar, dada sua magnitude. O termo “troca” aqui empregado deve ser visto com cautela, já que a distribuição de bens e influência culturais segue o padrão determinado pela hierarquização econômica e de poder, sob a qual os países dividem-se entre “desenvolvidos” e “em desenvolvimento”.

 

Desse modo, os países cuja produção cultural ocupa posição dominante exportam seus padrões, costumes e produtos com uma intensidade desproporcional àquela com que o fazem os chamados países em desenvolvimento. De todo modo, o termo culturas híbridas refere-se a uma mescla entre expressões culturais locais e globais, sem que, necessariamente, haja um quadro de dominação – ainda que seja de suma importância problematizar essa possibilidade. Em uma cultura híbrida, o que é local e o que é global coexistem, formando uma nova configuração cultural, um novo conjunto cultural que não é igual ao que havia antes do recebimento de “influências externas”, mas também não é mera reprodução cultural daquilo que se recebe.

 

Ainda que nem sempre o movimento Bubble Up esteja vinculado à apropriação, no sentido acusatório do termo, é importante salientar que mesmo que o uso de determinado objeto de fato emerja das camadas populares em direção ao topo da pirâmide, para que ele circule no chamado mercado de luxo, sofrerá adaptações para que pareça “exclusivo”, além de ser comercializado com preço mais alto, mecanismos que mantêm a ideia de consumo como meio de distinção.

 

De todo modo, os conceitos Trickle Down e Bubble Up, como muitos outros que tornam a Sociologia uma ciência dissonante, serão pensados como complementares, posto que coexistem nas relações sociais. O mais relevante é que o aluno compreenda a existência e o funcionamento de mecanismos de consumo e como nossas escolhas e gostos estão sempre sendo construídos por diversas influências sociais, que estão fora do nosso “eu particular” e que, ao mesmo tempo, contribuem para a formação de uma configuração, no sentido do conceito apresentado por Norbert Elias, que une o mundo social e a nossa individualidade.

 

Revista Sociologia Ed. 63

Adaptado do texto “O que nos leva a consumir?”

*Claudia Bourseau é graduada em Ciências Sociais e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Leciona Sociologia no ensino médio e pesquisa a utilização de vídeos feitos com telefones celulares como prova em processos de violação de direitos humanos por agentes do estado