Reflexão sobre a Cibercultura

Entenda como a cibercultura está afetando nossas relações sociais

Por Alexandre Quaresma | Foto: Revista Sociologia | Adaptação web Isis Fonseca

Cibercultura

Vivemos no mundo das redes, dos computadores portáteis, da telefonia móvel, na era da informação ubíqua, do panóptico imagético e midiático, da notícia instantânea, global, planetária, que percorre – num átimo – as veias e artérias de fibra óptica do planeta.

E, justamente por isso, estamos imbricados nesse incomensurável emaranhado de dados algorítmicos, nessa gigantesca trama de interações rizômicas, recíprocas e mutuamente influenciantes, que, com efeito, nos puxam e nos empurram, nos conectam e nos transformam, permeando a nossa existência veloz e fluidamente.

São forças silenciosas e eficientes que – de fato – nos estimulam e consomem, sustentam a nossa socialização, ao mesmo tempo em que nos condicionam e habituam, e assim, vão penetrando em nosso cotidiano ordinário e aí se cristalizam irreversivelmente, criando novos hábitos, maneiras e viveres, e assim – de igual maneira – também conformam e determinam a nossa forma de ser, como nos comportamos, nos comunicamos, o modo como vemos o mundo, o jeito que enxergamos a realidade, e, consequentemente, a forma como compreendemos também a nós mesmos, como seres humanos hiperempoderados ecnologicamente.

Aliás, ser humano hoje, nesse sentido, significa – mais do que nunca – ser também e necessariamente tecnológico, estar constantemente enredado e aparelhado por multidispositivos portáteis e próteses informacionais de diversas ordens, que – como sabemos – nos conectam e nos informam, nos divertem e nos auxiliam a trabalhar, tornando-se assim parte integrante daquilo que costumamos chamar trivialmente de realidade.

Nossa hiperestrutura é, com efeito, digital, dinâmica, criando uma realidade em grande medida virtual, mas também, por outro lado, completamente real e concreta.

Nossos elementos constitutivos são os bits, os fragmentos cibernético-informacionais, que fazemos fluir e refluir por aí a altíssimas velocidades, algo comparável – analogamente – a uma espécie de “seiva viva da Pós-modernidade”.

Nosso ambiente, ou, melhor dizendo, o nosso segundo ambiente, é a  cibercultura, o ciberespaço. Eis que agora esse é o nosso mais novo habitat. Vivemos no mundo natural – é claro –, em meio aos objetos e pessoas, mas também dedicamos muito tempo e atenção vital às chamadas redes sociais.

Muitos – de fato – não saberiam mais viver sem elas. As novas gerações de humanos, por exemplo, já não conhecem um mundo pré-tecnológico, pré-computacional, pré-smartphone e pré-globalização.

Simplesmente não há mais esse tipo de referência simbólica acessível ao imaginário comum. A realidade factual da cibercultura, nesse sentido, já abarca necessariamente toda essa nova conjuntura, e da própria conjuntura emergem novas complexidades.

Ruptura Societal

O fato novo aqui são os desdobramentos, as consequências, a reconfiguração das próprias sociedades mundo afora segundo essa nova ordem global, de acordo com essa nova série de valores conjunturais que a cibercultura nos apresenta.

E inauguradora é – com efeito – essa potencialização sem limites da vida gregária humana, que agora se organiza sob a forma de um superorganismo autoconsciente e simbiôntico, metade sintético e metade humano.

É claro que se trata essencialmente de uma metáfora, de uma alegoria explicativa, essa de um superorganismo multifacetado formado por todos e cada um, todavia essa mesma metáfora se vê identificada com a própria realidade societal humana, já que esse mesmo organismo – de fato – age e reage sistemicamente,
como um ser vivo dessa magnitude agiria, como uma grande mente planetária.

É lógico que a ideia de vivermos e agirmos em grupo nos acompanha desde os tempos imemoriais da espécie sapiens. No início, de modo preponderantemente
instintivo, mas logo em seguida intencionalmente, e foi assim que descobrimos a força que o nosso filo possuía quando organizado em grupos, aldeias, cidadelas,
redes de troca, permuta, e assim por diante.

E essa organização se dava e ainda se dá de maneira bastante clara, seja em torno de um mito comum, seja em torno de questões relativas à sobrevivência, o fato é que a nossa performance no mundo se tornava cada vez mais eficiente e funcional na medida em que nos organizávamos e nos organizamos.

Nesse sentido, não é errado dizer que o sentimento de coletividade e pertencimento à espécie são uns dos sentimentos mais importantes que trazemos na nossa memória coletiva ancestral, como bem de valor de altíssima estima.

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