Quem é Ricardo Benzaquen?

Conheça a história do cientista social Ricardo Benzaquen de Araújo

Por Daniel Rodrigues Aurélio | Foto: Youtube/Reprodução | Adaptação web Isis Fonseca

Quarta-feira, dia 1o de fevereiro de 2017. Dias antes, o democrata Barack Obama realizou a transmissão do cargo de presidente dos Estados Unidos ao desbocado e bilionário republicano Donald Trump, dando início a um período de incertezas econômicas e políticas em escala global. O excêntrico dono da Trump Tower, em Nova York, faz questão de não recuar de seu estilo truculento.

Já o noticiário brasileiro dividia-se entre os bastidores da eleição para a Presidência do Senado, vencida por Eunício de Oliveira (PMDB-CE), nome ao gosto do
presidente Michel Temer, e a cobertura sobre o estado de saúde da ex-primeira dama Marisa Letícia, internada desde o fim de janeiro no Hospital Sírio-Libanês,
em São Paulo, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) – a esposa de Luiz Inácio Lula da Silva teve sua morte confirmada às 18h57min de sexta-feira, 3
de fevereiro, despertando uma avalanche de comentários maldosos nas redes sociais. O discurso de ódio não dá trégua.

Naquele 1o de fevereiro o país continuava polarizado, tenso, radicalizado por uma crescente onda conservadora e pelas denúncias, delações e sentenças da operação Lava Jato. A população ainda estava consternada com a morte, no dia 19 de janeiro, do juiz Teori Albino Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), em um acidente aéreo que inspira até hoje as mais engenhosas teorias da conspiração.

Diante dessas circunstâncias, e com os ânimos exacerbados, poucos se deram conta de que o Brasil perdera naquela quarta-feira de verão um de seus mais brilhantes intelectuais: o sociólogo, antropólogo e historiador Ricardo Augusto Benzaquen de Araújo, autor de trabalhos notáveis sobre o pensamento social
brasileiro, especialmente acerca das obras do ensaísta, político e diplomata Joaquim Nabuco (1849-1910); do jornalista, teólogo e líder integralista Plínio Salgado (1895-1975); e do cientista social, historiador e escritor Gilberto Freyre (1900-1987).

Exceto pelas notas de falecimento das instituições nas quais colaborou como pesquisador e docente, além de declarações de pesar publicadas por associações ligadas aos campos da História, Sociologia e da Antropologia, quase nada saiu na imprensa. Aos 65 anos, Ricardo Benzaquen batalhou até o último suspiro contra um câncer no fígado.

Num país em que craques de futebol, youtubers histriônicos e fabricantes de fake news recebem atenção redobrada, não causa espanto essa postura dos veículos de comunicação, sobretudo porque Benzaquen era homem discreto para os padrões de espetacularização midiática e multiplataforma ao qual muitos acadêmicos se deixam seduzir: “O mais trágico de tudo é que o país que ele tanto estudou não tem ideia do que perdeu com sua morte”, escreveu Fred Coelho, professor do Departamento de Letras da PUC-Rio, em artigo para o jornal O Globo.

Coelho lembra que “o trabalho intelectual é silencioso” e exalta os atributos de Benzaquen enquanto mestre. Um mestre daqueles inesquecíveis: “Quando um
professor morre, o que lemos como homenagens e lembranças são as marcas que ele deixou nas pessoas, e não seus feitos individuais”.

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