Sobre Brasil e Dinamarca

Da Redação | Foto: 123 REF | Adaptação web Caroline Svitras

O momento político brasileiro, que a todo instante incita reflexões sobre o DNA da desonestidade no país, remete a um comparativo inevitável da gestão pública brasileira com a encontrada em países de realidade diametralmente oposta. Nesse caso, impossível não citar a Dinamarca, que ocupa a dianteira no Índice de Percepção da Corrupção, medido anualmente em 176 países, cuja versão mais recente (2016) foi divulgada no início deste ano com grande repercussão nos últimos dois meses na imprensa nacional. Distante do primeiro lugar dinamarquês, o Brasil caiu 10 pontos no ranking do índice, em dois anos, da 69ª para a 79ª posição, ao lado de Índia, China e Bielorússia.

 

A formação sócio-histórica distinta do país europeu bem como seu desenvolvimento econômico talvez expliquem seu modelo de gestão transparente e a percepção positiva do povo em relação à sua própria honestidade e a das instituições locais, ao passo que o próprio modelo de gestão pública dinamarquesa poderia ser considerado, na verdade, um grande fator anticorrupção. Tal modelo se pauta principalmente na igualdade de direitos entre os cidadãos e seus representantes, que utilizam os mesmos serviços públicos que a população em geral. O salário de um deputado não supera em grande volume o de um trabalhador médio. A imprensa existe para fiscalizar o poder público e não para beneficiar-se dele. A população paga seus impostos, pois vê retorno e esforços da administração pública em atender as suas demandas básicas. Não há privilégios no poder público – há meritocracia.

 

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Sociologia Ed. 70

Adaptado do texto “Sobre Brasil e Dinamarca”