Temer anuncia: “Não renunciarei”

Michel Temer faz declaração pública sobre a denúncia feita pelos donos da JBS que relatava seu conhecimento sobre esquema de propina

De Caroline Svitras | Foto: José Cruz | Agência Brasil

Em pronunciamento, Michel Temer anunciou enfaticamente a sua permanência na Presidência da República, contrariando as especulações sobre sua renúncia vinda de membros da Câmara dos Deputados e agentes da mídia.

O presidente teve sua imagem abalada após a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, herdeiros da JBS. Em depoimento, a dupla negociou a rendição de gravações de áudio em que Joesley aparece avisando a Temer sobre o pagamento de mesadas para Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, em troca do silêncio dos réus.

O episódio causou furor em todo o Brasil e movimentos sociais clamam por eleições diretas. “Já foi protocolada uma PEC a ser votada pelo congresso que autorize a convocação de novas eleições diretas”, afirma o sociólogo e professor Felipe Henrique Gonçalves.

Veja o depoimento do presidente na íntegra:

“Olha, vou cumprimentá-los [jornalistas].Eu quero fazer uma declaração à imprensa brasileira e uma declaração ao país. E, desde logo, ressalto que só falo agora pelos fatos se deram ontem porque eu tentei conhecer, primeiramente, o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei, aliás, oficialmente ao Supremo Tribunal Federal acesso a esses documentos, mas até o presente momento não o consegui. Quero deixar muito claro, dizendo que meu governo viveu nesta semana seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda na inflação, de retorno ao crescimento da economia e os dados de geração de empregos criaram esperança de dias melhores. Otimismo retornava e as reformas avançavam no Congresso nacional.

Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada. Portanto, todo o imenso esforço de retirar o país de sua enorme recessão pode se tornar inútil e nós não podemos jogar no lixo da História tanto trabalho feito em prol do país.

Ouvi, realmente, o relato de um empresário que, por ter relações com ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse e somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário.

Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém, por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação. Não preciso de cargo público, nem de foro especial. Nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome: na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos. E nunca autorizei, por isso mesmo, que utilizassem meu nome indevidamente. E, por isso, quero registrar enfaticamente: a investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal será território onde surgirão todas as explicações. E no Supremo demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos.

Não renunciarei, repito, não renunciarei. Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos, exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Esta situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas não podem tardar nas investigações e na solução respeitantemente a estas investigações. Tanto esforço e dificuldades superadas, meus senhores e minhas senhoras, é com o Brasil e é só este compromisso que me guiará. Muito obrigado, muito boa tarde a todos.”