Três livros para amantes de Sociologia

Confira nossas dicas e amplie seus horizontes de leitura

Da Redação | Foto: KJohansson/Wikimedia Commons | Adaptação web Caroline Svitras

 

Subdesenvolvimento e Revolução, por Ruy Mauro Marini

Ruy Mauro Marini é um dos principais pesquisadores da sociedade brasileira e um dos expoentes do que ficou conhecido como “teoria da dependência”. A atual edição de Subdesenvolvimento e Revolução, uma de suas principais obras, aponta para uma análise diferente das questões sociais e internacionais. A partir de uma análise vinculada de imperialismo, desenvolvimento capitalista brasileiro e luta de classes, Marini consegue apresentar uma das interpretações mais originais da situação dos países chamados “dependentes” e das relações internacionais. Apesar de alguns pontos problemáticos em sua obra, a sua análise do papel do Partido Comunista Brasileiro e do reformismo são interessantes, em que pese também se encontrar aí elementos questionáveis. Essa edição brasileira de um autor que foi exilado e teve a maioria de suas obras publicadas em outro país é um justo reconhecimento de sua importância intelectual.

 

Escritos Sobre a Imprensa Operária da Primeira República, por João Gabriel Fonseca Mateus

João Gabriel da Fonseca Mateus realiza uma análise histórica da imprensa operária na Primeira República, analisando e discutindo jornais como A Plebe, A Lanterna, Spártacus, A Voz do Trabalhador, entre outros. Através de uma ampla pesquisa bibliográfica e documental, o autor apresenta a produção intelectual da imprensa operária num momento histórico de efervescência política, cujo apogeu ocorreu com as greve dos 300 mil em 1917. A influência anarquista e também o caráter operário da imprensa lhe oferecer uma especificidade e originalidade que a análise rigorosa do autor permite perceber. Apesar de poder haver discordâncias em relação a elementos metodológicos, o procedimento analítico acaba sendo rico e contribuindo não só com a reconstituição histórica da imprensa operária no Brasil, mas também com a percepção sociológica da base social que lhe gerou, o movimento operário da época.

 

Legisladores e Intérpretes, por Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman, em Legisladores e Intérpretes, realiza uma discussão sobre os intelectuais e a sua mudança de papel na sociedade contemporânea. No Prefácio à Edição Brasileira, ele explica que esta obra é anterior às demais e por isso ainda usa termos posteriormente abandonados, como pós-modernidade. A tese básica da obra é a passagem de intelectuais modernos legisladores, ou seja, possuindo papel de arbitro e organizador, para intelectuais pós-modernas intérpretes, ou seja, mediadores da comunicação entre participantes autônomos. Apesar de vários elementos questionáveis, alguns que ele mesmo reconhece no prefácio, inclusive na homogeneização dos intelectuais nos dois períodos citados, oferece uma visão panorâmica da intelectualidade contemporânea hegemônica.