Veja o documentário Além do véu sobre o Islã

Texto Caroline Svitras

 

O ápice da onda de terrorismo que assombra o mundo contemporâneo teve seu início em 2015. O massacre que devastou a sede do jornal francês Charlie Hebdo foi o ato de abertura para dezenas de investidas extremistas contra cidades da Europa, África e Ásia, principalmente ligadas ao grupo Estado Islâmico.

 

Diante desse cenário, o preconceito contra praticantes da religião muçulmana tomou proporções extraordinárias, que culminaram no recente decreto assinado pelo presidente estadunidense Donald Trump, proibindo a entrada de pessoas nascidas em países árabes nos Estados Unidos, mesmo que legalmente.

 

O Islamismo, como qualquer religião ou cultura, tem aspectos que devem ser respeitados e exaltados, como sua língua, seus costumes, sua produção artística, sua forma de pensar. “A questão da Literatura, da arte, outros aspectos da cultura árabe que é (sic) fundamental do mundo islâmico de um modo geral, são muito pouco valorizados no Ocidente”, afirma o sociólogo Celso Carvalho.

 

É legítimo o medo que se sinta defronte tantas tragédias provocadas por alguns que se dizem seguidores de Maomé. Contudo, minimizar o conhecimento sobre os princípios e mandamentos do Islamismo e colocar todos os seus praticantes sob a condição de terrorista é subverter a dignidade e também o sofrimento daqueles que nada tem a ver com as organizações criminosas de seus países.

 

O documentário Além do véu – produzido pelas jornalistas Fabiana Kühl Abdullatif, Ivoneide Santana, Jucilene Almeida , Kelly Cristina Miyazato – apresenta o Islamismo como ele é, como uma religião que deve ser respeitada. Rituais, conceitos, crenças e costumes de seus praticantes são revelados com o objetivo de, assim, dissolver julgamentos pré-concebidos pela sociedade ocidental.

 

Em entrevista, Carvalho afirma que “o Islã não pode ser visto apenas como um fenômeno vinculado a certos grupos radicais, do ponto de vista político”.

 

Hebatallah Sahnouo, cientista política praticante islamita, conta sobre o preconceito que sofre aqui no Brasil. “Eles [os veículo de comunicação] querem sempre mostrar que os árabes são ignorantes, que eles (sic) não entendem nada, [que] as mulheres não têm direitos. [Isso] não é verdade”.
Confira, na íntegra, o documentário: